sábado, 7 de dezembro de 2024

PRELÚDIO

 




"Veja bem
O poeta não quer ir mais além
Vamos lá!!
Quem mais se importa?
Venha ver
O que o silêncio tem a dizer
E você...
Vai se calar novamente?

Deixe eu te contar
O que você não viu
O perfume não virá das flores
Se não souber sentir

Até lá
Poema perdido em palavras
Tudo bem!!
Um dia nós vamos entender
Deixe estar
A lua não vai descer pra você tocar
Até porque
A noite terminou de vez

Deixe eu te mostrar
O que não mais se ouviu
Respostas não virão na noite
Nem no que te feriu
Vamos seguir as estrelas
A partir do que você vê
O prelúdio do encerramento
O momento da última vez

Até que a luz se apague
Cortina abrindo sem alarde
Um canto de passagem
A exata visão da verdade
O próximo acorde
Aquele que preenche a noite
Uma versão decadente
Antes que o sol me derrote
Em frente...

Mas deixe eu te contar
O que ninguém mais sentiu
Uma voz que canta histórias
Sem muito final feliz
A paixão que me move
Em dois ou mais acordes
A temperatura da noite
Nos olhares a minha frente"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 3 dezembro de 2024





terça-feira, 17 de setembro de 2024

ILUSÃO DE ÓTICA

 




"Então já é hora de partir
Com as fuligens que vieram me cobrir
O longo caminho que até aqui percorri
Nem sempre é marcado pela distância

Hoje o tempo acordou faminto
Truques e segredos não irão persuadi-lo
E antes que a cortina se feche
Eu paro no meu sonho de criança

Eu corro na contramão
Olhos na estrada
Ouvidos na canção
E o caminho que ela vai me mostrar
Sem encenação

As luzes da cidade vão se apagando
A poesia se espalhou por todo canto
E as paredes que ficaram de pé
São ilusões de ótica

Eu corro do lado errado da estrada
Minha narrativa é totalmente errada
Os sonhos permanecem acesos
Traindo toda lógica

Eu corro na contramão
Olhos na estrada
Ouvidos na canção
E o caminho que ela vai me mostrar
Sem encenação

Hoje eu vou construir uma ponte
Entre estradas, paredes e segredos
Hoje eu vou acelerar
Mais rápido que o tempo

E logo após...

Meu coração vai desacelerar
Apreciar a noite que nunca vai terminar
Nos caminhos mais sinuosos
A vida encontra a paz

Não olhe pra trás
Não queira me atrasar
Porque nesta noite, pelo menos
Eu vou voltar sozinho pra casa"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 15 de setembro de 2024



domingo, 25 de agosto de 2024

ÁGUA VIVA



 

"Eu estive andando sobre meteoros
Desabados deste céu
E cantei uma antiga canção
Que você não aprendeu
Veja só o ouro espalhado
Sobre o chão da vida
E que virou...
Água-viva
Oh!...Água-viva
 
Anjos venenosos e carentes
Virão do alto pra me beijar
E derramarão água-viva
Em todo meu paladar
Veja só o ouro espalhado
Sobre o chão da vida
E que virou...
Água-viva
Oh!...Água-viva
 
Minhas mãos estão pesadas
E os meus lábios não se mexem mais
Eu tentei olhar para o alto
A procura de alguns sinais
Veja só a limpeza da minha mente
Forçada pela dor do chão da vida
E a loucura da dor
Da água-viva
Oh!...Água-viva
 
Anjos assustados vêm do alto
Pra roubar minha atenção
E jogam água-viva sobre os meus pés
Sobre o meu chão
Veja só o ouro guardado
Na memória que tive um dia
E que virou...
Água-viva
Oh!...Água-viva
 
Eu e você estamos nas sombras
De todo e qualquer olhar
O ouro que um dia juntamos
Não há como espalhar
Veja só a antiga canção
Que eu fiz da minha vida
E a loucura da dor
Da água-viva
Oh!...Água-viva"
 
Fúlvio Ferrer
 
São Paulo, 4 de fevereiro de 2007.


A MINHA VERSÃO DO INFINITO

 



"Desligue as luzes do corredor
Antes que o sol ilumine sem sentido
Cinco e dez, mundo indolor
Incerto e esquisito
Você parece descer sem um arranhão
Como se estivesse imune a isso
Sereníssima visão
Resposta carregada no instinto

Eu não acredito mais...

Não venho aqui rasgar desejos
Procurando o que traduz perigo
A porta que só tranca por dentro
Estou preparado pelo que não sinto
Não me pergunte só o que eu tenho
Eu só carrego o meu infinito

Estrelas despencam do céu
Sem qualquer revelação
Certamente elas virão contar
O que simplesmente não tem versão
O tempo que desaparece
O inimigo que fortalece
Algo nos dá esperança
E nós não sabemos o que nos fere

A mente é uma prisão...

O meu coração está vandalizado
E ele cai em perdição

Não venho aqui rasgar desejos
Procurando o que traduz perigo
A porta que só tranca por dentro
Estou preparado pelo que não sinto
Não me pergunte só o que eu tenho
Eu só carrego o meu infinito

A música da cabeça dita o ritmo

Eu tenho sonhos estranhos
Eu eu não quero te contar
São ilusões sem planos
Nem eu sei as respostas
A partir do que eu não explico
Nem que eu queira tentar
Carrego comigo um instinto
A minha versão do infinito

Agora você vai dormir
Tão bela em sua essência
Amanhã eu já não estou aqui
Eu espero que você entenda
Eu apareço no sol da meia noite
No infinito que não está a venda

A verdade não está nos meus olhos
Eu tenho estranhos sonhos"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 31 de março de 2009.

POETISA

 




"Todas as dores que você leu
No prefácio do meu som
E se um dia você me venceu
No seu rastro que eu vou
Todas as nuvens dispersaram
E as sombras me deixaram
Meus olhos num sorriso
Suas letras que me falam
E toda sua presença
É estranha para pensar
E a fumaça da distância
Desaparece para desafiar
Você sabe explicar?
Como consegue comparar
No momento de te ler
E a intensidade de te falar
Um anjo bem distante
Mostra que é importante
Quando eu leio a sua beleza
Que cativa o meu instante
Um anjo que entende
A simplicidade de sentir
A poetisa se faz presente
Na paixão de existir
Você abraçou a lua
E seus lábios se fecharam
Minha noite se fez sua
E as horas me calaram
Você sabe me levar
Pela poeira a respirar
E mesmo sem me ver
Você consegue me olhar
Um anjo bem distante
Mostra que é importante
Quando eu leio a sua beleza
Que cativa o meu instante
Um anjo que entende
A simplicidade de existir
A poetisa se faz presente
Na paixão de sentir"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 19 de março de 2002.

VISÃO SUPERIOR

 


"Que venha
Que venha a tempestade
Que venha
O próximo obstáculo
Que venha a confusão
Que venha a porrada
Na imaginação eu construí minha estrada
Que venha
Que venha a provação


O frio da noite
O veneno do dia
Já olhei para todos os lados
E só vi mãos vazias

Eu chamo de...Visão Superior
Estou num outro nível da Visão Superior

Que venha
Que venham os ossos quebrados
Que venha
O silêncio da inspiração
Que venha o duelo
Areia no meu rosto
Que venha o esquecimento
De um pelo outro
Que venha
Que venha a negação

O ácido da chuva
A poeira do sol
Já abri os meus olhos
E não vi coração

Eu chamo de...Visão Superior
Estou num outro nível da Visão Superior

Tempo é tristeza
Do futuro pelo passado
Já estive com vidro nos olhos
O bastante para me sentir curado

Visão Superior
Visão Superior
Visão Superior
Visão Superior"

Fúlvio Ferrer

São Roque, 5 de setembro de 2006.

PRESENÇA

 



"Espaço estreito dentro da mente
Vazio que eu não sei
Delírios marcados na minha frente
E o sono que não vem
Censura de outra noite

E agora, a porta se abre
Numa sensação que me invade
E a sua presença transparente
Que me salva de repente
De toda minha dor

Ideias futuras que são esquecidas
Por um cansaço sem controle
Todas as vozes se encontram na rima
E num som que não se ouve
Silêncio esperado

E a tristeza que se curva
Numa vontade que nem é tua
Pura e suja
E a sua presença que me faz
Voltar um tempo atrás
E lembrar

E o amanhã
Com novas regras
Pra curar
Todas as sequelas
E o resto dos sinais
Flagrados por mim
Não são sinais normais
Mas há razão, no fim

Pois eu não esqueci a dor
E você me faz lembrar
Sua presença, eu sinto
Que vem salvar
O resto da noite"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 20 de setembro de 2005.

ESTRANHO EM NÓS

 



"Eu não reconheço a sua face mais
Toque do tempo
Que está vencendo
Eu não reconheço a sua face mais
Sou no espelho
Que está perdendo

Pode ser que um estranho
Invada a nossa noite
Pode ser que eu te deixe
Escolher sua defesa, hoje
Pode ser
Pode ser
Só pode ser

Eu não reconheço seus pensamentos
Incontroláveis
No seu espaço
Eu não entendo mais
Mas essa é
A parte fácil

Pode ser que um estranho
Invada a nossa noite
Pode ser que eu te deixe
Escolher sua defesa, hoje
Pode ser
Pode ser
Só pode ser

Estranho em nós
Estranho em nós
Do que aprendi com o tempo
Do que aprendi com o tempo"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 27 de agosto de 2005.

SNAKEFULLANT

 



"Vejo o reflexo sobre a água
Tão escuro quanto o seu olhar
Vejo a superfície da sua sombra
Num momento, eu te deixo escapar

SnakeFullant
Encontrei sua fraqueza
Não sei suplicar
SnakeFullant
Sou sua incerteza
O tempo que te dei não vai voltar

Você nunca vai saber
Como eu faço a sua sombra te ameaçar
Você nunca vai saber
Como eu faço o meu silêncio te matar
Você nunca vai saber
O dia em que seremos um só
Agora o meu tempo acabou
E o tempo que te dei não vai voltar

Vejo o movimento da fumaça
E o silêncio que vem da multidão
Outra vez não há mais farsa
Só sinto o gosto da sua sensação

SnakeFullant
Um passo por vez
Mudança de direção
SnakeFullant
Que dissolve pra sempre
Mas o pra sempre agora
Não será mais a solução

Você nunca vai saber
Como eu faço a sua sombra te cegar
Você nunca vai saber
Como eu faço o meu silêncio te aproximar
Outra vez a mesma armadilha
Que eu fiz pra te soltar
Amargo é o beijo no final do dia
E o tempo que jamais vai voltar"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 27 de agosto de 2005.

FUGA

 



"Você sabe que procura algo
Mas sente que está se afastando
Ele costuma estar por perto
Mas você não sabe porque e quando
Você quer acreditar
Nas mãos do anjo
Seus olhos estavam ardendo
Seu raciocínio era lento
Uma voz que te chamava
Sobre o silencioso vento
E você ouvia
Você ouvia
Você queria alcançar
Você queria escapar
A mistura do branco e preto
Era o bastante para brilhar
Você sentia, sentia, sentia
O toque do seu medo
Sobre a face do segredo
Suas mãos estavam amarradas
E seus dedos sobre a faca
A consciência já pesava
Seu coração, você sentia
Que batia, batia, batia
Disparado
Disparado
Disparado
Disparado


Você procura uma fuga
Mas não sabe aonde vai parar
As mãos que te ajudam
Também podem te derrubar"


Fúlvio Ferrer

São Paulo, 15 de maio de 2001

TRILOGIA DA APRESENTAÇÃO

 


"Minha cabeça roda
E eu não sei aonde vou parar
Meu coração desligou
Minha alma vai funcionar
Eu tenho um sentido
Que é distinto...do que sinto
Eu sei todas as fraquezas do meu inimigo

Toda vez...as luzes que se apagam
Toda vez...o espaço é o meu asfalto
Toda vez...flashes no meu rosto
Versos no meu bolso
A vida num esboço

Longe! Salve-se de mim
Eu sei o que eu posso ter
Quando eu quero ser
Onde? Não escapo mais de mim
Eu durmo para acordar
Pra inventar o meu lugar
Conquista, noite e solidão
Trilogia da apresentação

Eu acordei sem saber
Para aonde estou indo
Estou no frio, fazendo luz
Eu não estou fugindo
Eu achei você no meio da fumaça
Na lua falsa
Eu vou subir as escadas
Da sua alma

Toda vez...as luzes que se apagam
Toda vez...o espaço é o meu asfalto
Toda vez...flashes no meu rosto
Versos no meu bolso
A vida num esboço

Longe! Salve-se de mim
Eu sei o que eu posso ter
Quando eu quero ser
Onde? Não escapo mais de mim
Eu durmo para acordar
Pra inventar o meu lugar
Conquista, noite e solidão
Trilogia da apresentação

Não se preocupe mais
Eu guardei a sua mente
Num lugar
Misterioso como eu
Eu não sei perder o que é
Roubado do que é seu

Não há ficção para controlar
Toda essa situação
Não há mentira pra mostrar
A minha razão
Eu estou cansado disso tudo
Do absurdo
De tudo...do mundo
Nesse escuro, eu durmo
Eu durmo"

FISLUZ

São Paulo, 20 de dezembro de 2004.

MUITO MAIS POR MIM

 




"Num instante
Roubei a sua consoante
Eu tenho o universo em códigos
E eu estou sem controle
Ouvi dizer numa estranha voz
Eu sou a sua mente a sós
Agora eu tenho mais do que eu posso
E eu quero mais...

Muito mais por mim
Muito mais por mim
Muito mais por mim
Eu vim

Voz bem alta
E a vergonha está em minha volta
Todo esse barulho definitivamente
É minha droga
O silêncio está aqui dentro
Imagine só o que eu penso
Como algo que não existe
Eu percebo e logo invento

Muito mais por mim
Muito mais por mim
Muito mais por mim
Eu vim

Eu estou vivo
Agora a luz está no meu recinto
Eu forço, mas a porta está trancada
Mas não há nada perdido
Muito mais por mim
Muito mais por mim
Muito mais por mim
Eu vim"

FISLUZ

São Paulo, 30 de novembro de 2004.

FISLUZ

 

 

"Apague
Apague a luz
Você não quer ver
A olho nu
Apague o amor
Mudança de planos
Eu procuro, hoje
Poderes insanos

Mostre teu medo
Mostre teu tesouro
Não há mais tempo
De pensar, tampouco
Deixe-me te apresentar
Um personagem novo
Com a alma rica
E sentido solto

Eu sei o que posso fazer
É fácil nas minhas mãos
O meu ego se despede
Da criação...da criação
Não há mais sim nem não
Sim ou não

Mostre agora
Mostre suas armas
Eu tenho palavras
Não preciso de mais nada

Eu sei o que posso fazer
É fácil nas minhas mãos
O meu ego se despede
Da criação...da criação
Não há mais sim nem não
Sim ou não

Há um silêncio
No esquecimento
Sou eu, sem me ver
Seguindo sentidos
Lendo o teu ritmo
Calor no meu frio
Da gota do teu desejo
Eu te faço um rio

Você quer me ver?
Você quer me ver
Nem sim nem não!
Todo meu ego
Todo meu ego se despede
Da criação...da criação
Sim ou não"

FISLUZ

São Paulo, 25 de novembro de 2004.

A ÚLTIMA VEZ

 



"Ela sente o céu se aproximar
E acha que é melhor assim
Quanto mais você sabe
Menos você quer
Quanto mais você tem
Menos você é
Quanto mais você acha
Mais você sabe que vai perder

O espaço é todo seu
O espaço todo te fez
Entender que viveu
Ela sabe andar sobre pedras
Ela vive como se fosse a última vez
A última vez

Ela não espera salvação alguma
Parada no ponto, sentindo a sua música
Que toca pra ela
Ela não espera por alguém...ela diz nunca

O espaço é todo seu
O espaço todo te fez
Entender que viveu
Ela sabe saltar sobre fendas
Ela vive como se fosse a última vez
A última vez

Dormindo agora
Deslizando sobre sonhos
Da noite afora
O mundo dá voltas
E nós esquecemos
De voltar...

Ela vive pensando na hora seguinte
Ela paga para se esconder em algum lugar
Ela tem demais
Eu enxergo de longe
O seu chão se render...aí ela vive

O espaço é todo seu
O espaço todo te fez
Entender que viveu
Ela sabe que pode se machucar
Ela vive como se fosse a última vez"
A última vez"

Fúlvio Ferrer
São Paulo, 16 de julho de 2004.

JÁ SEM NOME

 

"Meu
Um lugar que é só
Derramado na pele
E respingado no que é
Seu
Com um mundo a sua volta
Sem janelas nem portas
Criado por você

Você pode ganhar alguns sonhos...e pecados
Você pode acreditar nos olhos...ou nos fatos

Tudo
Num tempo vencido
Pelo seu amor perdido
Já sem nome

Nós tentaremos continuar cegos
E deixar de sentir o calor de perto
Nós tentaremos continuar quietos
E sentir a alma gritar...

Do que você precisa?
O que você sente?
Quando chama o meu nome
Do que você precisa?
O que você sente?
Quando chama o meu nome

Nosso
Que nunca existiu
Que nunca se ouviu
E por isso eu insisto
Com você
Que nunca foi real
De uma mágica fatal
Na ponta dos teus dedos

Você pode ganhar alguns sonhos...e pecados
Você pode acreditar nos olhos...ou nos fatos

Perdidos
No fino azul do céu
No vermelho que se fez meu
Já sem nome

Nós tentaremos continuar cegos
E querer o errado do certo
Hey, baby, fique perto
E sinta minh alma gritar...

Do que você precisa?
O que você sente?
Quando chama o meu nome
Do que você precisa?
O que você sente?
Quando chama o meu nome"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 9 de dezembro de 2003.

MULTIPLICIDADE


 

"Céu limpo que brilha o azul
Você tem tudo do mundo
Cores planas
Desafio de mentes insanas

Siga a minha idéia
Sinta a queda
Mas não queira ser como eu
Pois eu me multiplico

Talvez eu saiba
Talvez eu me perca
Talvez eu brigue
Talvez eu seja

Talvez eu precise
Talvez eu queira
Talvez eu fale
Sem ter certeza...do que falar"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 26 de janeiro de 2003.

DATA

 




"Deite
E durma esta noite
E que os velhos sonhos
Fiquem mais fortes
Indiferente
Se voltar a trovejar
Porque o barulho
Não irá te acordar

Sonho...não deixe escapar
Sonho...para escapar

Pense
Em novas cores
Guarde o passado
E enxugue as dores
Proteja-se
Se a chuva apertar
Porque toda água
Só irá te molhar

Cores...não deixe de olhar
Cores...só para olhar

Dores...deixe guardar
Dores...para escapar
Dores...deixe estar"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 29 de maio de 2002.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

POUCO A POUCO



"Apague a mente
Rápido o bastante
Não conte a hora
Até que tudo desapareça
Segure minha mão
Numa nova versão
Pode ser que você
Não me reconheça
Sinta minha pele
O que te impede?
Se jogue de cima do céu
Antes que você perceba
Olho no olho
Cegando o contorno
Pode ser que você veja
Todas as cartas na mesa

Apague o rastro
Leve a memória embora
Pouco a pouco
Desaparecendo, de fato
Sem o fim da história
Pouco a pouco

Pouco a pouco

No limbo que me mantém
Escuridão que entretém
Os vestígios de um dia
Que já passou sem me dizer
Eu não consigo mais lembrar
Uma viagem sem volta
A vida passada em passagens
A memória sem história
A promessa inventada
De você em minha volta

Apague-me
Segure-me
Conte-me
O final da história

Apague o rastro
Leve a memória embora
Pouco a pouco
Desaparecendo, de fato
Sem o fim da história
Pouco a pouco

Pouco a pouco

Apague-me
Segure-me
Conte-me
Só não conte a hora

Apague-me
Segure-me
Conte-me
Só não conte a hora

Pouco a pouco
Pouco a pouco
Pouco a pouco
Pouco a pouco"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 23 de junho de 2024.

sábado, 25 de maio de 2024

FRONTEIRA



"Enquanto eu cair
A gravidade me ensina
Sobre a queda
Do ponto de partir
O que existe hoje
É o mesmo que me resta

Não há mais pólvora a queimar
Na guerra que eu insisto
Em pertencer
Onde estar?
Metade vai cair
Enquanto a outra insiste em não sofrer

Morrer...sem enxergar

Sonho a noite inteira
Na trégua acordar
Numa faísca, o fósforo a queimar
Um passo além da fronteira
Num solo que eu errei
Todo meu afeto a conquistar

Não há mais
Porque guerrilhar
A defesa caiu
Sem me avisar
No silêncio, a paz
Pra respirar
Tudo o que eu conquistei

E não vai voltar
Nem vai ganhar
A vida sucumbe, enfim
Num novo olhar"

.... e eu nem olhei

São Paulo, 6 de maio de 2024.

Fúlvio Ferrer / Henrique Teixeira





domingo, 28 de abril de 2024

METADE

 


"Sou
A metade perdida
O brilho no meio do nada
Mantido em vida

Não olho pra baixo na queda
A gravidade se encarrega

A metade que voou
Paleta cheia de cor
Na loucura do som
Num frasco fechado de dor

A noite morre no completo silêncio
E ela revive cedo
Só eu vejo

O tempo na máxima velocidade
Nada me detém esta noite
A vida não é pela metade
E a outra metade começa hoje

Três horas
O sono em conflito
A escuridão em mistérios
Ou somente um abrigo

A prisão que se faz necessária
Que liberta os sonhos na calada

Pegue suas cartas
Esconda os sinais
Frieza no olhar
No seu par de Ás

O jogo é seu do princípio ao fim
Tão perto do fim
Meu 'all in'

O tempo na máxima velocidade
Nada me detém esta noite
A vida não é pela metade
E a outra metade começa hoje

Metade da vida"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 24 de abril de 2024











quarta-feira, 6 de março de 2024

OURO PELA VIDA

 



OURO PELA VIDA

"Procuro o sono
Entre paredes falantes
Uma miragem que pisca num sopro
Do meu contraste
Labirinto nos olhos
Num choro forçado
Insiste em deixar meu corpo
Anestesiado

Já esqueci minhas conquistas
Ao olhar para o vazio
Deixa a cura sem pistas
Torna a doença um vício

Deixe-me tentar
Gritar
E quem sabe...te chamar
Deixe-me surpreender
Só desta vez

Persigo um sonho
Mas não lembro qual
O vento explode num caminho sujo
E anormal
Você está por perto?
Eu não sei
As palavras soam num tom quieto
E perdem-se no ´talvez´

Só que desta vez
Eu não quero falhar
Se você não virar pra me ver
Eu não vou querer mais ganhar

Deixe-me tentar
Vencer
E quem sabe...te merecer
Deixe-me surpreender
Só desta vez
Toda minha luta depende de você
É uma via escura
Para viver

Só desta vez
Só desta vez"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 15 de outubro de 2001.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

ARGILA

ARGILA


"Nas águas rasas
No chão de argila
Eu espalho a lama na areia santa
Num conto em vida

Eu não carrego dores
Mas cicatrizes
Um combo agridoce 
Que no infinito, vive
A sede da vontade
Morreu na sede
A toda velocidade
Como entorpecente

Desça no porão do rock'n'roll
Venha comigo, antes do sol
São só escolhas
Espalhe pelo rosto a juventude
Mergulhe no silêncio da solitude
Eu tenho provas

Eu tenho provas

Nas águas turvas
O próprio caos
Eu isolo a cena num só poema
"Maça & Sal"

Até chacoalha 
A sobra do coração
Maça no ar 
Sal na palma da mão
Flores de luz 
Segredos do mar
Meu gosto agridoce 
Perdido no ar

Espalhe argila no seu rosto
Na sua alma o no seu corpo
São só escolhas
Espalhe pelo rosto a juventude
Mergulhe no silêncio da solitude
Eu tenho provas

Eu tenho provas"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 20 de janeiro de 2024.



quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

INESPERADAMENTE

 


INESPERADAMENTE


"Vamos lá
Entregar o que é de valor
Juntar tudo que restou
Eu vou
E não quero mais olhar
Anjos impedidos de voar

Sozinho
Há tanto lugar para ir
Esperando o futuro existir
Aflito
Eu nem consigo sair daqui
Partido em pedaços
Num espaço tão vasto
Sem mais nada a ouvir

Eu estou aqui
Enjaulado na própria mente
Inesperadamente

Vamos lá
Implodir o mais puro instinto
´Seja rápido´, disse o sábio, ´não seja visto´
Eu vou
Contar mentiras que você vê verdades
Ou posso te contar o poder do ´foda-se´

A voz
Nunca será calada
Nem quando ela não fala
O som
Já pausado
Enquanto carrega o fardo
Em versos de amor
Seja contra ou a favor
Mas sempre lado a lado

Eu estou aqui
Enjaulado na própria mente
Inesperadamente

Procuro o momento
Não há sofrimento
Trapaça do tempo que
Eu mesmo invento

Eu estou aqui
Enjaulado na própria mente
Inesperadamente
Aqui
Enquanto te vejo na lente
Eu tenho o feitiço perfeito
A sobra de um sentimento
Perdido na mente
Inesperadamente"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 13 de janeiro de 2024.