domingo, 1 de março de 2026

DE VOLTA AO PONTO DE PARTIDA

 





"Navios se deslocam no oceano
Em busca de guerra
A terra está se movimentando
Soldados em queda

O que fizemos pra chegar até aqui?
Como paramos nesta merda?
De volta ao ponto de partida
Sozinho...
Como uma flor numa pedra

Abaixe suas armas
Queime o seu disfarce
Entre balas e falsas palavras
Vem a nossa realidade
Por que não chorar?
Por que não chorar?

O amor não aceita dividir
Nem por ele, etnia ou cor
O ódio disfarçado por aí
Depravada onda de dor
Por que você não me aceita aqui?
Qual crime você me sentenciou?
O coração é o mesmo pra mim
O seu reino ideal que me isolou

A saída pela esquerda
Todos sentados à mesa
E na outra ponta extrema
Poder, força e violência
Onde você quer estar?
Onde você quer estar?

Você aceita repartir
Ou quer só a sua parte?
Temos uma missão a cumprir
O significado da verdade
Por que não sonhar?
Por que não sonhar?

O que fizemos pra chegar até aqui?
Como paramos nesta merda
De volta ao ponto de partida
Sozinho....
Como uma flor numa pedra"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 25 de fevereiro de 2026.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

GANGORRA

 





"Não se entregue
Você bem sabe
O que não te serve, descarte

Não se entregue
Gastando o resto da vida
Enterrando a própria estima

Nada te interfere

A escolha é só sua
A escolha é só sua
A escolha é só sua
Contando o resto dos dias
Debaixo de justificativas
Seus medos
Percorrendo pelos dedos
Um duelo certo e cedo

É só sua escolha
Seu peso na gangorra
Não se entregue
Nada te interfere
Nem trevas e luzes
O último duelo contra as nuvens

Qual sua escolha?

Não se entregue
Calculando o resto dos dias
Perdendo todo o resto das noites
Roubando qualquer intenção
A emoção sem direção

A escolha é só sua
A escolha é só sua
A escolha é só sua
Rejeitando a verdade dita
Tanto quanto as escondidas
Suas lágrimas
Escorrendo pela cara
A partida sem palavras

Não há nada a temer
Nada a temer 
Do outro lado da gangorra
São trevas e luzes
O último duelo contra as nuvens"

São Paulo, 8 de dezembro de 2025.


Para minha irmã Luana.
Nascida em 18/03.1986
Falecida em 15/01;2026

Que seu espírito encontre paz e amor



terça-feira, 4 de novembro de 2025

FÉ NO SOM DO AMOR

 






"Ela chora todo domingo à noite
Quando seus sonhos caem em terra firme
Cada lágrima é uma difícil partida
De dentro da sua fortaleza

Hoje ela mal sabe o próprio nome
O navio partiu enquanto ela somente sofre
O tempo de quase toda uma vida
Mergulhado na profunda tristeza

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Ela vai conforme a correnteza
Navegando no seu mar de riquezas
Boiando, conforme ela mesma
Pra longe de qualquer certeza

"Me salve!"
"Me salve!"
Essas são as suas palavras
Presas na própria inconsciência

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Sangue frio por dentro das veias
Espalhado sobre a mesa
O silêncio é a única certeza
De que ela vai cuidar

O céu limpo após a tempestade
A cura em forma de verdade
O grito vindo da vontade
O amor no seu melhor lugar

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Fúlvio Ferrer

Mairinque, 18 de outubro de 2025.

sábado, 20 de setembro de 2025

REFÉM

 

"Ela tem a vez
Em derrubar minha construção
Tão logo ela se refez
Eu ainda não levantei do chão
Com quem eu falo agora?
Apresente-se pra plateia

Eu já sou refém
Sua recompensa favorita
Ela, eu nem sei
Ela é tudo, menos vítima
Com quem eu falo agora?
A heroína ou a criminosa?

Ela é a única no meu corpo
Que transfere eletricidade
Ela chega com o roteiro pronto
Onde eu mal sei a metade
Talvez eu não saiba
Talvez eu não fale

Minhas mãos percorrem sua pele
Nas curvas de baixa velocidade
Ela é a única que me prende
Pra gozar da própria vontade
Talvez eu não saia
Talvez eu não volte
Pra você

No lado de fora
Alguém me chama em larga escala
Uma voz que é tão sonora
Na nota certa ou na errada

Ouça com atenção
A melodia proibida
Cantada numa nova versão
Na noite que antecede meu dia
Com quem vou falar amanhã?
A mocinha ou a vilã?

Ela é a única no meu corpo
Que espalha o fogo na combustão
Tudo cai num simples sopro
Meu objeto de destruição
Talvez eu me queime
Talvez eu levante

Ela é a única sem queimaduras
Imune e sem qualquer arranhão
Eu já deixei minha armadura
O começo da minha ilusão
Talvez eu me cure
Talvez eu escape
De você"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 2 de outubro de 2025















quarta-feira, 27 de agosto de 2025

VOO SOLO



"Vejo no espelho
Os traços que não estavam lá
Eu posso contá-los
Se você não se importar

Eu estou sem nada
A espaçonave parte em momentos
Eu não tenho o mapa
Tampouco eu tenho mais tempo

Desculpe o silêncio
Nem tudo dá pra entender
Eu não tenho medo
Você também não deveria ter

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

Eu já vi de tudo
Além do que o espelho mostra
O pior e o absurdo
O diabo surgindo em diversas formas

Meu coração acelerado
No ritmo que não dá pra controlar
Sou o seu imaginário
Eu sou a lembrança pra você guardar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

No ar que respira
No vento que faz seu cabelo voar
Nas poesias sem rimas
É lá que eu vou estar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 27 de agosto de 2025.





segunda-feira, 18 de agosto de 2025

FEITIÇO DO TEMPO





"A chuva sem controle traz revelação
Um mergulho na sua pior sensação
Você tirou lição dessa tempestade?
Ou não reconhece mais a verdade?

Respire fundo...
e nade!
Respire fundo...
e nade!
 
Acabada a chuva, reconstrução
A água desaparece sem qualquer razão
Você quer uma vida melhor que a proposta
Mesmo que isso traia toda a lógica
 
Respire fundo...
e seja!
Respire fundo...
e seja!

Um indício de vida surge com o sol
Tempo aliado, mas não nessa missão
O feitiço do tempo recomeça
Se você só quiser a recompensa
O feitiço do tempo não acaba
Se você não fizer valer a pena
O feitiço do tempo não mais cessa
Porque ele existe na sua incerteza

Respire fundo...
e pule!
Respire fundo...
e pule!"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 12 de agosto de 2025.

terça-feira, 15 de julho de 2025

JULIANA




"Talvez a procura de respostas no topo do mundo
Talvez pra sentir o poder da liberdade
O céu no chão como o melhor pano de fundo
Talvez a redescoberta da mais pura verdade


A queda não é somente o fim
A sua solidão final, ela sim, dói em mim
Uma mão que te tirasse dali
Foi sua última vontade


A noite chegou
E nunca mais acabou
A vida num sopro
Sempre quer ir mais além
Está tudo bem
O sonho vai permanecer
A luz não vai desaparecer
E nem você, meu bem


Quando você deslizou pro meio do nada
Na manhã que virou escuridão
As vozes aflitas sofreram caladas
Sua existência não, não foi em vão


Enquanto você chora em silêncio
A encarada entre a dor e o medo
Vem memórias e momentos
Que tem o poder de curar
Um anjo destemido
Voando cedo e sem perigo
A vida é como o infinito
E ela nunca vai acabar


O dia chegou
A noite acabou
A vida bem vivida
Sempre quer algo mais
Agora está tudo bem
O céu é todo seu, meu bem
Voe além
E descanse em paz"


Fúlvio Ferrer


São Paulo, 13 de julho de 2025

À memória de Juliana Marins, brasileira falecida no trajeto em direção ao vulcão Rinjani, localizado na Indonésia

Nascimento 24/08/1998
Falecimento 24/06/2005