sábado, 19 de fevereiro de 2011

LIVRE ARBÍTRIO



LIVRE ARBÍTRIO


"Eu não tenho mais riquezas
E com ela, o que sobrou da minha paciência
Mamãe me soltou de cara pra vida
Como meu pai, que não liga a mínima
Sem mim, sua vida não teria sentido
E eu falo como se acreditasse nisso
Palavras perderam o seu significado
Seria diferente se eu não tivesse ligado?

Eu compartilho a minha loucura
Eu faço a luz aparecer no meio da chuva
Nunca anuncie quando você não tem
Eu pago um centavo pelo que você vem dizer
Eu só queria voltar aos velhos tempos
Fechei os olhos, abri sentimentos
Todos ouviram o que eu tinha a dizer
Até os segredos que não tem nada a ver

Eu só quero um ponto final
Eu só quero te ver bem mal
Nunca tivemos muito a ver
Mas eu me rasgo, eu me supero por você
E nada?!

E juntos, nós íamos tão bem
Eu pretendi, o que é que tem?
Você perdeu para o livre arbítrio
Seria burrice ou seria destino?
Perdido de novo, sem luz nem desgosto
Na direção que vem do seu assopro
Tudo que você sentiu
E o que eu te apresentei
Muito prazer: você não vai mais ver

Eu não tenho mais o meu controle
A referência, eu nunca soube
O pensamento dissolve no primeiro gole
E eu não quero que seja diferente
Eu não vou roubar a sua inocência
Você nem vai notar a minha presença
Estranhas idéias me acompanham agora
O dia termina e não passa a hora

Eu só quero a minha indiferença
Quero de volta a minha riqueza
Eu e você nunca tivemos muito a ver
Mas eu me rasgo, eu me supero por você
E nada?!

E juntos, nós íamos tão bem
Eu pretendi, o que é que tem?
Você perdeu tudo para o livre arbítrio
Seria burrice ou seria destino?
Perdido de novo, sem luz nem desgosto
Na direção que vem do seu assopro
Tudo que você sentiu
E o que eu te apresentei
Muito prazer: você não vai mais ver"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 14 de fevereiro de 2011.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PEGADAS




PEGADAS


"Eu vou sobreviver
Não é difícil quanto parece
Já foi pior!
Já foi pior!

Mentiras viram verdades

Eu acordei do lado de fora
Num lugar sem regras
Eu não posso ir mais longe
Quando o sol só queima minhas pegadas
Eu corri contra o diabo
Numa trilha de pedras quentes
Que eu ando descalço
É a cura de outra ferida na minha mente

Veja eu partir...
Eu vou sobreviver
Eu falo porque eu sei
Você me mostrou o que eu não via
Mas não o que era para ver
Verdades também viram mentiras
Não há nada mais para contar
Já foi pior!
Já foi pior!

Eu sinto minha visão fora de foco
Ofusca a linha do horizonte
Que eu percorria
Além do que me ensinava a noite
Tão perto e longe demais
Não estou certo, não estou errado
Eu vou escalar estes muros por você
Não quero quedas de outro atalho

Veja eu partir...

Eu vou sobreviver
Não é difícil quanto parece
Eu te conto uma história
De amor que não presta, que não te serve
Mentiras e verdades não existem
Quando não há motivos pra chorar
Já foi pior!
Já foi pior!

No cair da noite
E dos olhos de ouro
Você se lembrará de mim"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 15 de janeiro de 2011.

PONTA-CABEÇA







PONTA-CABEÇA




"Eu me sinto bem
Bem vulnerável
O colete a prova de balas
Não protege a alma
O sonho é silencioso
Que quase não o escuto mais
Apenas sou carregado
Pelo que os olhos acompanham

Eu não estou acima da lei
Mas eu não peço mais
Toda dor que eu paguei
Não ficou pra trás

O que eu tenho aqui
Não se compra no mercado
Estou tão alto
Que você me vê de cabeça pra baixo
Desejo algo
Que não está escrito nos livros
A trilha terminou
Até onde segui meus instintos

Eu não estou acima da lei
Não, eu não peço mais

Toda dor que eu paguei
Não, não ficou pra trás

Ponta-cabeça
Ponta-cabeça
Ponta-cabeça"

Fúlvio Ferrer



São Paulo, 21/07/2007