"Ela tem a vez
Em derrubar minha construção
Tão logo ela se refez
Eu ainda não levantei do chão
Eu ainda não levantei do chão
Com quem eu falo agora?
Apresente-se pra plateia
Eu já sou refém
Sua recompensa favorita
Ela, eu nem sei
Ela é tudo, menos vítima
Com quem eu falo agora?
A heroína ou a criminosa?
Ela é a única no meu corpo
Que transfere eletricidade
Ela chega com o roteiro pronto
Onde eu mal sei a metade
Talvez eu não saiba
Talvez eu não fale
Minhas mãos percorrem sua pele
Nas curvas de baixa velocidade
Ela é a única que me prende
Pra gozar da própria vontade
Talvez eu não saia
Talvez eu não volte
Pra você
No lado de fora
Alguém me chama em larga escala
Uma voz que é tão sonora
Na nota certa ou na errada
Ouça com atenção
A melodia proibida
Cantada numa nova versão
Na noite que antecede meu dia
Com quem vou falar amanhã?
A mocinha ou a vilã?
Ela é a única no meu corpo
Que espalha o fogo na combustão
Tudo cai num simples sopro
Meu objeto de destruição
Talvez eu me queime
Talvez eu levante
Ela é a única sem queimaduras
Imune e sem qualquer arranhão
Eu já deixei minha armadura
O começo da minha ilusão
Talvez eu me cure
Talvez eu escape
De você"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 2 de outubro de 2025
