domingo, 18 de março de 2018
SÃO PAULO
"São Paulo
Um sonho em pedaços
Uma parte do espaço
Ser alguém
Ser o que você tem
São Paulo
Um tipo de ferrugem
Uma noite de atitudes
Nós somos todas as faces
Sem cruzar os nossos olhares
São Paulo
Luzes de neon
Um erro no seu tom
Nós ganhamos no silêncio
Mas continuamos na insignificância
E eu não tenho mais palavras
Eu não tenho mais mapas
Eu não tenho razão
De ter como escapar
E eu não tenho mais religião
A crença da minha criação
Eu não tenho mais limites
De querer criar meu chão
São Paulo
Desconhecido
Do que eu posso ver
Eu tenho o veneno
E faço desaparecer
Está frio lá fora
Cai a chuva fina
Proteja-se
Da tempestade de mentiras
Não há mais como voltar
Não deixe o seu medo
Te encontrar
Não há mais nomes próprios
Não há efeitos sonoros
Eu ouvi
Um estranho som
São Paulo
Desconhecido
Do que eu posso ver
Eu desapareci
Pra depois voltar a ser
Eu ouço vozes
Eu vejo feridas
Que estão abertas
Dessa tempestade de mentiras
O medo é só um detalhe agora
E eu vivo numa sensação esquisita
De sobreviver
De sobreviver
Sobreviver"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 2 de setembro de 2005.
UMA OBRA PRIMA SOB A LUZ DO LUAR
"Chegue mais perto antes que minha cabeça exploda
Perto do calor a minha leitura é sonora
Sem muito a dizer, não há melhor caminho
E falando em 'melhor', é como hoje me sinto
Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar
Voltando no tempo, nem eu me lembro bem
Um sábio perdido e perdendo tudo que tem
Sem muito a dizer, não há melhor caminho
Viajo nessa pintura sem qualquer sentido
Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar
Um olhar pretensioso machuca o peito
Como um soco em cheio exatamente no queixo
A lua, por horas, me trouxe do lado de fora
Chegue mais perto antes que minha cabeça exploda
Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 17 de março de 2018.
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