quinta-feira, 21 de junho de 2018

CAOS



"Eu permaneço quente
No tempo frio
Tão de repente
Em todo silêncio
E muito antes
Dessa excitação
Que destrói durante
Não me deixa rastro
Do que eu sou
Do que eu sou
Do que eu sou...

Algo me controla
Um mergulho no escuro
A superfície afora
No meu mais sonho profundo
A Realidade por horas
O Desequilíbrio em minutos
Nada mais que eu faça
Não seguro em mãos
Porque, você sabe...
Eu estou no caos
Eu estou no caos...

Enquanto isso acontece
Eu ouço bem de longe
Chamando pelo meu Nome
Eu não achei que seria diferente

Enquanto isso não me impede
Eu junto os meus pedaços
Eu conto os meus passos
Nada que não fosse diferente

Um novo gole
O próximo cigarro
Um chute na sorte
Um sonoro 'foda-se'
Um tiro de longe
Sem mira tão fácil
E o que vem
Nos passos e passos
Passo a passo
Passo a passo
Passo a passo

Eu me escondo
Entre sombras e trapos
Em meio a escombros
Em meio ao gosto amargo
Sem perdas, nem ganhos
Num passo sem rastro
Porque, você sabe...
Eu estou mergulhado
No caos que ilumina
Numa perfeita e maldita sintonia

Enquanto isso acontece
Eu ouço o que vem de longe
Chamando pelo meu Nome
Eu não achei que seria diferente

Enquanto isso não me impede
Eu junto os meus pedaços
Eu conto os meus passos
Nada que não fosse diferente

Eu permaneço quente
No tempo frio
Tão de repente
Em todo silêncio
E mesmo durante
Essa destruição
O que completa a noite
Com a minha salvação
Enquanto eu vago
Pelo caos
Pelo caos

Enquanto isso acontece
Eu ouço o que vem de longe
Chamando pelo meu Nome
Eu não achei que seria diferente

Enquanto isso não me impede
Eu junto os meus pedaços
Eu conto os meus passos
Nada que não fosse diferente"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 21 de junho de 2018

domingo, 10 de junho de 2018

SILÊNCIO EM IMAGENS

 




"Com licença, mas vou fumar lá fora
Não preciso dessa maldita multidão
Salve-se da fumaça que te sufoca
Faça algo que não chame tanta atenção

Por aí
Procurando fama
Sentado na sombra
Eu posso ouvir

Então não diga se for dizer
O que eu já sei
Não me diga o que eu já sei

Subindo por vontade própria
Procurando flutuar em outra dimensão
Não vinha aqui em cima
Hoje eu preciso aprender a minha lição

Por aqui
Cruas verdades
Silêncio em imagens
De tudo que eu vivi

Então não diga se for dizer
O que eu já sei
Não me diga o que eu já sei

Tão perto de ter
Letras que não vou escrever
Brincando de "não esquecer"
Mantendo o campo de visão
São
Tão perto de ruir
Um tempo depois de partir
Sobra um crime pra resolver
Longe da minha atenção 
Então
 
Não diga se for dizer
O que eu já sei
Não me diga se for dizer
O que eu já sei
Não me diga o que eu já sei"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 10 de junho de 2018 


domingo, 20 de maio de 2018

EM ALTO E BOM SOM



EM ALTO E BOM SOM



"Não sobrou nada por aqui
Só a sensação da estranha fé
Uma crença quebrada no meio
Sem fundamento sequer

Eu tenho o equilíbrio!
E eu nunca disse
Em alto e bom som

O dia começou a viver
Só o sol não está mais entre nós
Não procure entender
Sem prestar atenção no show
Eu sei, não há mais tempo
Mas eu nunca disse isso
Em alto e bom som

Então vamos
Estender nesta noite, então
Deixar pra trás tudo que não sobrou
Então vamos
Nada nos envolve, então
Nada nos envolve, então...

Perco a mente em momentos
E persigo em círculos
É quando eu solto a voz
No completo espaço vazio
Calculo o meu risco
Eu nunca disse isso
Em alto e bom som

Então vamos
Estender nesta noite, então
Deixar pra trás tudo que não sobrou
Então vamos
Nada nos envolve, então
Nada nos envolve, então...

Não sobrou nada por dentro
Só a sensação do vento na cara
Um truque a todo momento
Uma armadilha na porta de casa

E por mais que soe estranho
Eu nunca disse isso
E por mais que soe estranho
Eu nunca disse isso
E por mais que soe estranho
Eu nunca disse isso
Em alto e bom som

Então vamos
Estender nesta noite, então
Deixar pra trás tudo que não sobrou
Então vamos
Nada nos envolve, então
Nada nos envolve, então...

E por mais que soe estranho
Eu nunca disse isso
Em alto e bom som"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 20 de maio de 2018.

domingo, 18 de março de 2018

SÃO PAULO



"São Paulo
Um sonho em pedaços
Uma parte do espaço
Ser alguém
Ser o que você tem
São Paulo
Um tipo de ferrugem
Uma noite de atitudes
Nós somos todas as faces
Sem cruzar os nossos olhares
São Paulo
Luzes de neon
Um erro no seu tom
Nós ganhamos no silêncio
Mas continuamos na insignificância

E eu não tenho mais palavras
Eu não tenho mais mapas
Eu não tenho razão
De ter como escapar
E eu não tenho mais religião
A crença da minha criação
Eu não tenho mais limites
De querer criar meu chão

São Paulo
Desconhecido
Do que eu posso ver
Eu tenho o veneno
E faço desaparecer
Está frio lá fora
Cai a chuva fina
Proteja-se
Da tempestade de mentiras
Não há mais como voltar
Não deixe o seu medo
Te encontrar

Não há mais nomes próprios
Não há efeitos sonoros
Eu ouvi
Um estranho som

São Paulo
Desconhecido
Do que eu posso ver
Eu desapareci
Pra depois voltar a ser
Eu ouço vozes
Eu vejo feridas
Que estão abertas
Dessa tempestade de mentiras
O medo é só um detalhe agora
E eu vivo numa sensação esquisita
De sobreviver
De sobreviver
Sobreviver" 


Fúlvio Ferrer


 São Paulo, 2 de setembro de 2005.

UMA OBRA PRIMA SOB A LUZ DO LUAR



"Chegue mais perto antes que minha cabeça exploda
Perto do calor a minha leitura é sonora
Sem muito a dizer, não há melhor caminho
E falando em 'melhor', é como hoje me sinto

Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar

Voltando no tempo, nem eu me lembro bem
Um sábio perdido e perdendo tudo que tem
Sem muito a dizer, não há melhor caminho
Viajo nessa pintura sem qualquer sentido

Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar

Um olhar pretensioso machuca o peito
Como um soco em cheio exatamente no queixo
A lua, por horas, me trouxe do lado de fora
Chegue mais perto antes que minha cabeça exploda

Eu pulei no oceano sem saber nadar
A pressa era impressa, antes de pular
Mergulhei até o fundo sem saber voltar
Agora eu vejo uma obra prima sob a luz do luar"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 17 de março de 2018. 

sábado, 24 de fevereiro de 2018

RETICÊNCIAS




RETICÊNCIAS



"Aperte o passo
Mais solto e firme
Faça um desejo
Ao propor um brinde
Mantida a sua fé
Enquanto você levanta
Ninguém mais ficou de pé
Ou até mesmo sem fala



Velhas memórias
Salvas em nuvens
Histórias novas
Ao propor um brinde
Enquanto todos caem
Enquanto você escala
Mantenha a sua fé
Em poucas palavras



Levante a mão na primeira descida
E de repente sentirá outro sabor
Sentado no chão, contando a minha vida
Tentando compor uma música de amor
Não tente me enganar
Nem leve pro pessoal
O tempo é que vai cantar as ordens
Do começo ao final



Reticências
Em notas publicadas
Nem precisa de senhas
Nem precisa palavras
Ruas escuras e estreitas
Pura aventura
Não faça desfeita
'Embarque e curta'



Levante a mão na primeira descida
E de repente sentirá outro sabor
Sentado no chão, olhando por cima
Apreciando o que a vida vem propor
Não tente me enganar
Nem leve pro pessoal
O tempo é que vai cantar as ordens
Do começo ao final"



Fúlvio Ferrer / Henrique Teixeira



São Paulo, 23 de fevereiro de 2018.

RIMA







"Cada passo de um tolo imperfeito
Sem direção entre arrependimentos
Eu espero o sangue escorrer pelos dedos
Até entender em não esconder um segredo

No meu tom
Em pobres rimas
No seu ritmo
Em frases ricas

Você pode esquecer isso?

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
Nem sempre me ouça

Cada vez que eu me quebro no chão
Em pedaços e ventos errados
Há uma voz que vem em toda razão
E diz: 'BEM FEITO!' Pague pelo estrago

Viaje pela noite
Entre armadilhas
Perdoe por ontem
O que mais eu poderia?

Será que você esqueceu tudo isso?
Será que você esqueceu tudo isso?

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
E nem sempre me ouça

Apague isso!
Apague isso!
Apague isso!

Em versos decentes
Beijos de despedida
Em 'pretéritos' presentes
De quando um dia houve rima

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
E nem sempre me ouça"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 25 de fevereiro de 2018.

DIA CURTO


 



"Fiel ilusão
Um passo sem volta
O coração no lugar certo
Agindo em causa própria
Mas muito antes disso tudo
Portas estavam abertas
Antes de um dia curto


Vamos lá fora, agora!
Há um mistério que não explica toda essa minha estória
Porque sonhos e verdades se completam
Ou a mentira vem aqui me cortar por completo
Não há como escapar
Quando o dia é curto


Infiel aparência
Eu não vejo sentido
Enquanto isso, todos cantam
E fazem o sinal de crucifixo
É o momento do meu agudo
Rasgado e ferido
Noutro dia curto


Num ligar distante daqui
Tão perto pra ver, tão longe em sentir
Porque entre sonhos e verdades, se vive
E todos nós sabemos o final que virá desse filme
Até chegar o dia para qual lado você deve escolher
Que o dia é curto enquanto você não entender  


Você consegue enxergar através da fumaça?
E respirar?


Até quando o veneno das veias estiver satisfeito
Até quando o ar se mostrar rarefeito
Até quando você escapar
Até quando você escapar
Até quando você escapar
Desse dia curto"



Fúlvio Ferrer



São Paulo, 15 de julho de 2016.