quarta-feira, 4 de março de 2020

IMPROVISO



"Ir lá fora ouvir o que o silêncio provoca
Na água fria, sentir todo o vazio passar
Eu ouvi...
A chuva que despenca em nossa volta e me deixa fingir

As ruas inundadas como deveriam ser
Uma história forjada até difícil de entender
Eu que fiz...
Não vamos nos perder enquanto a chuva vem e nos salva do fim

Não tenho roteiro escrito
Ou digno
Pra você imaginar
Eu nem sei o que faço
Um poeta do fracasso
Que não sabe rimar

Querer somente o silêncio
Um simples olhar no espelho
O resto pra você contar
Se não é igual
A mim basta improvisar

O dia passa veloz distante do que vê
Lentamente ele vai partir sem dizer
Eu que quis...
Uma gota na pele de café que eu roubei sem te pedir

Não tenho roteiro escrito
Ou digno
Pra você imaginar
Eu nem sei o que faço
Um poeta do fracasso
Nem sabe rimar
 
Uma espera do silêncio
Um simples olhar no espelho
Deixando o resto da história pra você contar
O que pra você é verdadeiro
Pra mim é improvisar"

Fúlvio Ferrer / Henrique Teixeira

São Paulo, 18 de fevereiro de 2020.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

EM PLENOS PRANTOS



"Eu não quero estragar a surpresa
Mas eu quero o meu pedaço
O veneno que passeia nas veias
E que me deixa estático

Foco nunca esteve do meu lado...

Você desafiou a gravidade
Um passeio ao passado
O perigo pedindo passagem
Um abraço do asfalto

Loucura nunca esteve do seu lado...
Mas ela esteve aqui
Em plenos prantos

Eu roí unhas, anéis e dedos
Eu vivia disfarçado
Nem pude contar meus segredos
Antes mesmo de beijar o asfalto

O perigo sempre me fez de escravo
E ele me deixou...
Em plenos prantos
Em plenos prantos...

Pensando em todos os desejos
De você aqui
Uma defesa que morre cedo
Uma vez e no fim
Descubra no mundo uma saída
Que não te deixe de lado
Antes da sua partida
Em plenos prantos
Em plenos prantos"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 24 de janeiro de 2020.

VOLUME



"Um pingo de suor
Derramado no seu contorno
Que enquanto não seca
Não me leva a sério
Particularmente eu sou
Um mistério nos teus sonhos
Um vasto deserto
Onde chove o tempo todo

Por isso nós vamos
E roubamos tudo tão fácil
Foi quando nós caímos
Nós nem olhamos pra baixo
Deixe-me assumir o controle
A conquista do espaço
O comando do volume
Da nossa queda ao asfalto

Ouça o som
Do que me provoca tamanho estrago
Ouça o som
Do que sempre te deixa de lado
Do que te deixa de lado

Um olhar tanto perdido
Derrota pro infinito
Eu fico sem escolha
A não ser assistir
Lá se vai outra noite
Fumando entre dinamites
O tempo me chama
É melhor eu ouvir

Ouça o som
Do que me provoca tamanho estrago
Ouça o som
Do que sempre te deixa de lado
Do que te deixa de lado

Outra noite
Lá vamos nós
Enquanto estamos sozinhos e à sós
Um beijo quente na sorte
Um abraço suave da morte
Sem ar
Sem ar
Aqui estou prestes a voar

Ouça o som
Do que me provoca tamanho estrago
Ouça o som
Do que sempre te deixa de lado
Do que te deixa de lado"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 24 de janeiro de 2020.