terça-feira, 4 de novembro de 2025

FÉ NO SOM DO AMOR

 






"Ela chora todo domingo à noite
Quando seus sonhos caem em terra firme
Cada lágrima é uma difícil partida
De dentro da sua fortaleza

Hoje ela mal sabe o próprio nome
O navio partiu enquanto ela somente sofre
O tempo de quase toda uma vida
Mergulhado na profunda tristeza

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Ela vai conforme a correnteza
Navegando no seu mar de riquezas
Boiando, conforme ela mesma
Pra longe de qualquer certeza

"Me salve!"
"Me salve!"
Essas são as suas palavras
Presas na própria inconsciência

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Sangue frio por dentro das veias
Espalhado sobre a mesa
O silêncio é a única certeza
De que ela vai cuidar

O céu limpo após a tempestade
A cura em forma de verdade
O grito vindo da vontade
O amor no seu melhor lugar

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Fúlvio Ferrer

Mairinque, 18 de outubro de 2025.

sábado, 20 de setembro de 2025

REFÉM

 

"Ela tem a vez
Em derrubar minha construção
Tão logo ela se refez
Eu ainda não levantei do chão
Com quem eu falo agora?
Apresente-se pra plateia

Eu já sou refém
Sua recompensa favorita
Ela, eu nem sei
Ela é tudo, menos vítima
Com quem eu falo agora?
A heroína ou a criminosa?

Ela é a única no meu corpo
Que transfere eletricidade
Ela chega com o roteiro pronto
Onde eu mal sei a metade
Talvez eu não saiba
Talvez eu não fale

Minhas mãos percorrem sua pele
Nas curvas de baixa velocidade
Ela é a única que me prende
Pra gozar da própria vontade
Talvez eu não saia
Talvez eu não volte
Pra você

No lado de fora
Alguém me chama em larga escala
Uma voz que é tão sonora
Na nota certa ou na errada

Ouça com atenção
A melodia proibida
Cantada numa nova versão
Na noite que antecede meu dia
Com quem vou falar amanhã?
A mocinha ou a vilã?

Ela é a única no meu corpo
Que espalha o fogo na combustão
Tudo cai num simples sopro
Meu objeto de destruição
Talvez eu me queime
Talvez eu levante

Ela é a única sem queimaduras
Imune e sem qualquer arranhão
Eu já deixei minha armadura
O começo da minha ilusão
Talvez eu me cure
Talvez eu escape
De você"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 2 de outubro de 2025















quarta-feira, 27 de agosto de 2025

VOO SOLO



"Vejo no espelho
Os traços que não estavam lá
Eu posso contá-los
Se você não se importar

Eu estou sem nada
A espaçonave parte em momentos
Eu não tenho o mapa
Tampouco eu tenho mais tempo

Desculpe o silêncio
Nem tudo dá pra entender
Eu não tenho medo
Você também não deveria ter

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

Eu já vi de tudo
Além do que o espelho mostra
O pior e o absurdo
O diabo surgindo em diversas formas

Meu coração acelerado
No ritmo que não dá pra controlar
Sou o seu imaginário
Eu sou a lembrança pra você guardar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

No ar que respira
No vento que faz seu cabelo voar
Nas poesias sem rimas
É lá que eu vou estar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 27 de agosto de 2025.





segunda-feira, 18 de agosto de 2025

FEITIÇO DO TEMPO





"A chuva sem controle traz revelação
Um mergulho na sua pior sensação
Você tirou lição dessa tempestade?
Ou não reconhece mais a verdade?

Respire fundo...
e nade!
Respire fundo...
e nade!
 
Acabada a chuva, reconstrução
A água desaparece sem qualquer razão
Você quer uma vida melhor que a proposta
Mesmo que isso traia toda a lógica
 
Respire fundo...
e seja!
Respire fundo...
e seja!

Um indício de vida surge com o sol
Tempo aliado, mas não nessa missão
O feitiço do tempo recomeça
Se você só quiser a recompensa
O feitiço do tempo não acaba
Se você não fizer valer a pena
O feitiço do tempo não mais cessa
Porque ele existe na sua incerteza

Respire fundo...
e pule!
Respire fundo...
e pule!"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 12 de agosto de 2025.

terça-feira, 15 de julho de 2025

JULIANA




"Talvez a procura de respostas no topo do mundo
Talvez pra sentir o poder da liberdade
O céu no chão como o melhor pano de fundo
Talvez a redescoberta da mais pura verdade


A queda não é somente o fim
A sua solidão final, ela sim, dói em mim
Uma mão que te tirasse dali
Foi sua última vontade


A noite chegou
E nunca mais acabou
A vida num sopro
Sempre quer ir mais além
Está tudo bem
O sonho vai permanecer
A luz não vai desaparecer
E nem você, meu bem


Quando você deslizou pro meio do nada
Na manhã que virou escuridão
As vozes aflitas sofreram caladas
Sua existência não, não foi em vão


Enquanto você chora em silêncio
A encarada entre a dor e o medo
Vem memórias e momentos
Que tem o poder de curar
Um anjo destemido
Voando cedo e sem perigo
A vida é como o infinito
E ela nunca vai acabar


O dia chegou
A noite acabou
A vida bem vivida
Sempre quer algo mais
Agora está tudo bem
O céu é todo seu, meu bem
Voe além
E descanse em paz"


Fúlvio Ferrer


São Paulo, 13 de julho de 2025

À memória de Juliana Marins, brasileira falecida no trajeto em direção ao vulcão Rinjani, localizado na Indonésia

Nascimento 24/08/1998
Falecimento 24/06/2005 


sábado, 17 de maio de 2025

"EU TE AMO"



"A procura de memórias
Como tranca na gaiola
Um movimento ruim
Sim, eu vejo assim

Na ausência
A procura de alguma certeza
Como a fome e um prato vazio na mesa

No escuro
Eu não sou o único
Enquanto eu procuro a saída
Você muda de assunto
No escuro
Na parte mais gelada do seu mundo
Eu não sinto frio
Nem quando estou sem rumo

E sobre o futuro
Um poema épico ou um rascunho?
Uma música sem letra
É tudo isso que nos resta?
E você diz:
'Eu te amo!'
Você sabe que pra mim é luz no escuro

No escuro
Eu não sou o único
Enquanto você inventa uma saída
Eu me fecho em sinal de luto
No escuro
Na parte mais esquecida do seu mundo
É onde me encontro
Você sabe que eu não sou o único

Eu continuo
Isso é tudo que nos resta?
Um passado sem presente nem futuro
E você diz:
'Eu te amo!'
Você sabe que pra mim é luz no escuro

Na ausência
A procura de alguma certeza
Enquanto eu trago a fome
Você põe um prato vazio sobre a mesa
No escuro
O silêncio de um minuto
Acabou de começar
Você sabe que eu não sou o único"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 17 de maio de 2025





terça-feira, 18 de março de 2025

ASSOMBRAÇÃO


"Caiu um raio perto daqui
De onde eu estava
Poeira da rua em mim
Que somente suja

Debaixo da sua porta
Fechada
Nem um feixe da luz
Acesa ou apagada

Um fantasma
Pra você não olhar nem sentir
Nenhuma mágica
Que me faça sumir daqui
Eu sou um fantasma
Que não atravessa portas
Trancado do lado de fora
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa

Como está aí dentro?
Na poeira do seu reino
Vejo pingos na janela
Deserto ou degelo

Seu soco certeiro
No ar
O reflexo no espelho
Que você não quer enxergar

Um fantasma
Pra me deixar invisível
Nenhuma chama
De que a vida é possível
Sou só um fantasma
Que mal perambula
Da linhagem mais pura
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa

Seguindo sem rumo na luz
Eu deixo minha assombração
E a ausência que traduz
Desinteresse e desilusão

Um fantasma
Espiando silenciosamente
Nenhuma palavra
Só um espírito na sua mente
Sou só um fantasma
Olhando pela sua janela
Cumprindo a sentença
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 18 de março de 2025.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

NO AR RAREFEITO


 


"A cada novo amanhecer
É a vida soltando você
A cada aposta feita, numa mesa
Não há como voltar pra ver
O seu caminho está livre
Pra blefar ou para acreditar
O movimento te define
A cada carta aberta ou fechada

São duas visões
E só você pode olhar
A dor em versões
A que machuca ou a que vem pra modificar
A rua da vida não tem fim
E elas servem pra cobrir a cicatriz
Você pensou que não seria assim?
Deixe estar

Todo viajante sabe que o tempo
É o inimigo andando por perto
Todo dia que termina mais cedo
É a noite num ciclo imperfeito
Sou só uma estranha voz
Que canta enquanto você dorme
Cada estrela cadente
De repente
Pode vir a realizar seu desejo

São duas visões
E só você pode olhar
A dor em versões
A que machuca ou a que vem pra modificar
A rua da vida não tem fim
E elas servem pra cobrir a cicatriz
Você pensou que não seria assim?
Deixe estar

O coração que bate fora do peito
Pulsa como se estivesse dentro
As asas quebradas ao meio
Não te impedem de voar inteiro
Mesmo no ar rarefeito
No ar rarefeito"

São Paulo, 27 de fevereiro de 2025.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

ENTRE DADOS

 




"Eu nunca soube por aí
Nunca disse sem falar
As verdades que contaram
Não chegaram a me enganar
Mas eu tenho outras regras
Nem tentaram me parar
Sou o brilho de outras horas
Que eu não quero mais contar

A vida joga
Entre dados
Voz e letra voltam a se calar
E eu nem cheguei a me enganar

Deixe o uísque
Leve o gelo
Vamos voar por essas horas
O "Rock´N´Roll por minha conta

A vida esfria
Quem tem a resposta?
Eu não tenho nada
Nada mais que as minhas histórias
Um dia você vai ouvir
Agora
Eu me calo nessa ordem
Porque nem posso te contar
Enquanto outros gritam
Enquanto outros gritam

Jogue o jogo
Perca lances
Diga o que mais quero ouvir
Não há mais nada que eu queira ouvir

Nunca pense
Não me pare
Vou percorrer sua pele até o fim
E me perder perto de ti

É um longo caminho até o fim
E nunca estivemos por lá
Eu estou aqui, ainda mais por mim
Não há mais o que contar

A vida inspira
Quem tem a resposta?
Eu não tenho nada
Nada mais que as minhas histórias
Enquanto outros gritam
Eu me parto em desordem
Porque nem posso te contar
Enquanto outros gritam
Enquanto outros gritam"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 7 de março de 2014.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O VERÃO PASSADO

 


" O verão passa despercebido
O tempo fora do ritmo
O escuro do céu acendeu o pavio
A chuva veio, caiu e destruiu
Uma enchente de lamentos
Pura dor sem sofrimento
O verão na nossa frente
Tão seco quanto reticente
Não desvie o olhar dele
Isso não me convence

Então por que a dor?
Por que o pior do amor?
O verão não vai passar
Se não souber lidar
A melhor forma é combater
Sem precisar vencer
Hoje não há nada melhor
Que encarar nosso pior

Há um barulho no ouvido
Um som que beira o esquisito
A melodia não casa com a letra
Uma descida sem freio na ladeira
A tempestade tem seu valor
Sou eu no meu pior
Vamos preencher as reticências
Pra finalizar
A chuva vai parar
O sol vai voltar
Vai voltar ao seu lugar

Então por que a dor?
Por que o pior do amor?
O verão não vai passar
Se não souber lidar
O pavio vai acender
Sem você querer saber
A batalha vai terminar
Se você não se importar

A tensão espalhada no ar
Uma luta sem se entregar
Outro território pra você usar
O momento pra escapar
Tudo em nome da paz
E do que não ficou pra trás
Não tinham te falado
Estamos lutando
Do mesmo lado
O nosso chamado
Não foi por acaso

Então por que a dor?
Por que o pior do amor?
O verão não vai passar
Se você ignorar
Então por que sofrer?
Se você não quis saber
O último chamado
No verão passado

No verão passado
No verão passado
No verão passado
No verão passado"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 13 de janeiro de 2025

domingo, 5 de janeiro de 2025

O QUE EU TENHO PRA TE DIZER

 


"Desperte
Das ilusões
Que não pode esquecer
Conte todas as
Munições
Só pra se defender
Chamadas
Perdidas
Pra não responder
Já é tarde e você jamais ouvirá
O que eu tenho pra te dizer

Já é tarde
Já é tarde
Já é tarde
Pra te dizer

Discursos
Armados
Não vão confundir
Carrego
Pecados
Pra distribuir por aí
Um pouco 
Mais perto
Para que eu possa te aquecer 
Já é tarde e agora você sentirá
O quanto eu posso te satisfazer

Esmague
Emoções
Que não posso controlar
Junte todas as
Munições
Só pra me derrubar
Seu alvo
Parado
E perdido em você
Já é tarde e você jamais ouvirá
O que eu tenho pra te dizer

Já é tarde
Já é tarde
Já é tarde
Pra você entender

Já é tarde
Já é tarde
Já é tarde
Pra te dizer"

São Paulo, 5 de janeiro de 2025.