"Ela chora todo domingo à noite
Quando seus sonhos caem em terra firme
Cada lágrima é uma difícil partida
De dentro da sua fortaleza
"Ela tem a vez
"Caiu um raio perto daqui
De onde eu estava
Poeira da rua em mim
Que somente suja
Debaixo da sua porta
Fechada
Nem um feixe da luz
Acesa ou apagada
Um fantasma
Pra você não olhar nem sentir
Nenhuma mágica
Que me faça sumir daqui
Eu sou um fantasma
Que não atravessa portas
Trancado do lado de fora
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa
Como está aí dentro?
Na poeira do seu reino
Vejo pingos na janela
Deserto ou degelo
Seu soco certeiro
No ar
O reflexo no espelho
Que você não quer enxergar
Um fantasma
Pra me deixar invisível
Nenhuma chama
De que a vida é possível
Sou só um fantasma
Que mal perambula
Da linhagem mais pura
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa
Seguindo sem rumo na luz
Eu deixo minha assombração
E a ausência que traduz
Desinteresse e desilusão
Um fantasma
Espiando silenciosamente
Nenhuma palavra
Só um espírito na sua mente
Sou só um fantasma
Olhando pela sua janela
Cumprindo a sentença
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 18 de março de 2025.