terça-feira, 18 de março de 2025

ASSOMBRAÇÃO


"Caiu um raio perto daqui
De onde eu estava
Poeira da rua em mim
Que somente suja

Debaixo da sua porta
Fechada
Nem um feixe da luz
Acesa ou apagada

Um fantasma
Pra você não olhar nem sentir
Nenhuma mágica
Que me faça sumir daqui
Eu sou um fantasma
Que não atravessa portas
Trancado do lado de fora
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa

Como está aí dentro?
Na poeira do seu reino
Vejo pingos na janela
Deserto ou degelo

Seu soco certeiro
No ar
O reflexo no espelho
Que você não quer enxergar

Um fantasma
Pra me deixar invisível
Nenhuma chama
De que a vida é possível
Sou só um fantasma
Que mal perambula
Da linhagem mais pura
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa

Seguindo sem rumo na luz
Eu deixo minha assombração
E a ausência que traduz
Desinteresse e desilusão

Um fantasma
Espiando silenciosamente
Nenhuma palavra
Só um espírito na sua mente
Sou só um fantasma
Olhando pela sua janela
Cumprindo a sentença
Mas eu estou pronto pra assombrar
A sua casa"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 18 de março de 2025.