sábado, 24 de fevereiro de 2018

RETICÊNCIAS




RETICÊNCIAS



"Aperte o passo
Mais solto e firme
Faça um desejo
Ao propor um brinde
Mantida a sua fé
Enquanto você levanta
Ninguém mais ficou de pé
Ou até mesmo sem fala



Velhas memórias
Salvas em nuvens
Histórias novas
Ao propor um brinde
Enquanto todos caem
Enquanto você escala
Mantenha a sua fé
Em poucas palavras



Levante a mão na primeira descida
E de repente sentirá outro sabor
Sentado no chão, contando a minha vida
Tentando compor uma música de amor
Não tente me enganar
Nem leve pro pessoal
O tempo é que vai cantar as ordens
Do começo ao final



Reticências
Em notas publicadas
Nem precisa de senhas
Nem precisa palavras
Ruas escuras e estreitas
Pura aventura
Não faça desfeita
'Embarque e curta'



Levante a mão na primeira descida
E de repente sentirá outro sabor
Sentado no chão, olhando por cima
Apreciando o que a vida vem propor
Não tente me enganar
Nem leve pro pessoal
O tempo é que vai cantar as ordens
Do começo ao final"



Fúlvio Ferrer / Henrique Teixeira



São Paulo, 23 de fevereiro de 2018.

RIMA







"Cada passo de um tolo imperfeito
Sem direção entre arrependimentos
Eu espero o sangue escorrer pelos dedos
Até entender em não esconder um segredo

No meu tom
Em pobres rimas
No seu ritmo
Em frases ricas

Você pode esquecer isso?

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
Nem sempre me ouça

Cada vez que eu me quebro no chão
Em pedaços e ventos errados
Há uma voz que vem em toda razão
E diz: 'BEM FEITO!' Pague pelo estrago

Viaje pela noite
Entre armadilhas
Perdoe por ontem
O que mais eu poderia?

Será que você esqueceu tudo isso?
Será que você esqueceu tudo isso?

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
E nem sempre me ouça

Apague isso!
Apague isso!
Apague isso!

Em versos decentes
Beijos de despedida
Em 'pretéritos' presentes
De quando um dia houve rima

Meus olhos continuam vermelhos
Enquanto minha mente sobrevoa
Apague as luzes por um momento
E nem sempre me ouça"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 25 de fevereiro de 2018.

DIA CURTO


 



"Fiel ilusão
Um passo sem volta
O coração no lugar certo
Agindo em causa própria
Mas muito antes disso tudo
Portas estavam abertas
Antes de um dia curto


Vamos lá fora, agora!
Há um mistério que não explica toda essa minha estória
Porque sonhos e verdades se completam
Ou a mentira vem aqui me cortar por completo
Não há como escapar
Quando o dia é curto


Infiel aparência
Eu não vejo sentido
Enquanto isso, todos cantam
E fazem o sinal de crucifixo
É o momento do meu agudo
Rasgado e ferido
Noutro dia curto


Num ligar distante daqui
Tão perto pra ver, tão longe em sentir
Porque entre sonhos e verdades, se vive
E todos nós sabemos o final que virá desse filme
Até chegar o dia para qual lado você deve escolher
Que o dia é curto enquanto você não entender  


Você consegue enxergar através da fumaça?
E respirar?


Até quando o veneno das veias estiver satisfeito
Até quando o ar se mostrar rarefeito
Até quando você escapar
Até quando você escapar
Até quando você escapar
Desse dia curto"



Fúlvio Ferrer



São Paulo, 15 de julho de 2016.