sábado, 10 de setembro de 2011

LABIRINTO SEM SAÍDA




LABIRINTO SEM SAÍDA


"Labirinto sem saída
Em cada pedaço seu
A linguagem vem de um jeito
A sede vem do céu

O momento ganha um nome
Quando desliza pela sua pele
Eu serei o seu calor
Pra permanecer o coração quente
Eu tenho as respostas
Pelo que os olhos vêem

E nada mais, nada mais...

Diga o que você precisa
Que eu te sirvo outra dose
Ponha sua boca onde ela melhor se encaixa
Seja a minha noite

Os dedos percorrem lentamente
E não há nada de errado nisso
Ela dança mesmo sem música
Ela canta sobre o meu silêncio

O tempo ganha significado
Quando ela me deixa amar
O desejo vem dos olhos
E hoje eu quero te enxergar
Tudo o que eu quero
Você pode imaginar

E tudo mais, tudo mais...

Diga o que você nunca teve
Que eu te sirvo outra dose
Ponha sua boca onde ela melhor se encaixa
Seja a minha noite

Diga o que mais te ferve
Que eu permito outro gole
Ponha sua boca onde ela melhor se encaixa
Perca a noite"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 10 de setembro de 2011.


quinta-feira, 14 de julho de 2011





HISTÓRIA CONTADA



"Perdoe o meu lado sombrio
Convença que a sua verdade é a certa
Corrija se eu estiver errado
Ao redor, há fantasmas de outras épocas

Eu sei muito bem
O que já estava perdido
Não se perde outra vez
Mas os poemas e rumores
Que estão chegando
Não são tão bons


Perdoe o meu lado sombrio
Pergunte por que eu não choro mais
Eu estive procurando por veias de vidro
Tão perto de um coração que não doía mais

Eu sei muito bem
O que já estava perdido
Não se perde outra vez
Pois a história contada
Não foi você que fez


Eu posso até ter me perdido
Mas eu nunca perdi o caminho de volta pra casa
Alma aflita
Não quer dizer que ela esteja violada


Eu ouvi o meu nome chamado
Em algum lugar
Perdoe o meu lado sombrio
E não me deixe afundar

Eu sei muito bem
O que já estava perdido
Não se perde outra vez
Porque entre poemas e rumores
Eu me afastei...


Da pura verdade


Mas eu nunca perdi o caminho de volta pra casa
Alma aflita
Permanece sem ser destruída
Eu posso até ter me perdido
Mas eu nunca perdi o caminho de volta pra casa
Alma aflita
Não quer dizer que ela esteja violada
Já é o bastante"


Fúlvio Ferrer
São Paulo, 12 de julho de 2011.

sábado, 28 de maio de 2011

SEGREDOS





SEGREDOS



"Se eu tenho a mão no seu bolso

Eu roubo o que eu preciso
E quando você se rende à gravidade
Leva contigo o meu equilíbrio

E até que termine o dia
Eu tenho alguns segredos pra contar

Eu tenho as mãos de concreto
E veias de vidro
Eu tenho a pressa impressa
E a calma de um rio

E até que termine o dia
Eu não tenho o que sentir mais

"-Meu bem...você tem que entender
Que eu não tenho nada...
Nada a perder
Meu bem...não pense em voltar.
Nem pense em voltar

-Nem vem...tentando me inverter
Essa é a vida, não há o que escolher
Não pense em voltar
Nem pense em voltar"

(Isso é o que dizem)

Então venha até aqui
E diz pra mim no que você acredita
Cortem o som."
-Calem-se todos!"
Eu quero ouvir o que ela tem a dizer
"No que você acredita?"

Meus olhos doem tanto

Acidentes que o tempo viu
Se você quer que eu fique
Não comece logo do fim

Antes do que quer que fosse
Eu não tenho mais segredos pra contar

Seus ossos estão quebrados

E seu olhar vem vazio
Você tem sua guerra interna
Sem pólvora, nem pavio

E antes que termine a noite

Eu não quero me ferir mais

"-Meu bem...você tem que entender

Eu tenho o sol que não vai te aquecer
Meu bem...não pense em voltar
Nem pense em voltar

-Não sei...o sangue corre por dentro

E ele vem fazendo um estrago tremendo
Não pense em voltar
Nem pense em voltar"

(Isso é o que dizem)

Então venha aqui

E diz pra mim no que você acredita
Cortem o som."-Calem-se todos!"
Eu quero ouvir o que ela tem a dizer
"No que você acredita?"

Você pode dizer

No que você acredita?"


Fúlvio Ferrer


São Paulo, 28 de maio de 2011.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

RECINTO VAZIO



RECINTO VAZIO



"Você não sabe como eu te inventei
O espelho está no olhar
Nem tudo tem sentido
Pronto pra partir, agora eu vou ficar

Eu sou a bomba de luzes
Do seu inconsciente
Que eu vou roubar

Pensando em prazeres
Não quero nem sonhar
Você não sabe o que está fazendo
Sem parar para respirar

São momentos
São segredos
Que eu vou contar

Saia de trás das nuvens
Você não precisa seguir as luzes

Veja, eu estou ferido
Enquanto eu me equilibro
Dance pelo recinto
Que eu deixei vazio

Andando entre pedras e poeira
Eu quero entrar, quero sair
Acredito nas escolhas
Que você tentou fingir

Acidente de percurso
Um minuto no escuro
É você, minha pérola!

Vergonha não é pecado
Eu quero mais do que o pior pedaço

Veja, eu estou ferido
Enquanto eu equilibro
Dance pelo recinto
Que eu deixei vazio

Sussurros que vem do anjo
Que permanece ajoelhado
Ele tenta se livrar
Quando tudo tem um preço pago

Questão de truque
Antes que mude
A sua estrela

O seu barulho é mentira
Quando o silêncio é o que me excita

Veja, eu estou ferido
Enquanto eu me equilibro
Nem tudo tem sentido
Enquanto você dança no recinto vazio"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 14 de abril de 2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

LIVRE ARBÍTRIO



LIVRE ARBÍTRIO


"Eu não tenho mais riquezas
E com ela, o que sobrou da minha paciência
Mamãe me soltou de cara pra vida
Como meu pai, que não liga a mínima
Sem mim, sua vida não teria sentido
E eu falo como se acreditasse nisso
Palavras perderam o seu significado
Seria diferente se eu não tivesse ligado?

Eu compartilho a minha loucura
Eu faço a luz aparecer no meio da chuva
Nunca anuncie quando você não tem
Eu pago um centavo pelo que você vem dizer
Eu só queria voltar aos velhos tempos
Fechei os olhos, abri sentimentos
Todos ouviram o que eu tinha a dizer
Até os segredos que não tem nada a ver

Eu só quero um ponto final
Eu só quero te ver bem mal
Nunca tivemos muito a ver
Mas eu me rasgo, eu me supero por você
E nada?!

E juntos, nós íamos tão bem
Eu pretendi, o que é que tem?
Você perdeu para o livre arbítrio
Seria burrice ou seria destino?
Perdido de novo, sem luz nem desgosto
Na direção que vem do seu assopro
Tudo que você sentiu
E o que eu te apresentei
Muito prazer: você não vai mais ver

Eu não tenho mais o meu controle
A referência, eu nunca soube
O pensamento dissolve no primeiro gole
E eu não quero que seja diferente
Eu não vou roubar a sua inocência
Você nem vai notar a minha presença
Estranhas idéias me acompanham agora
O dia termina e não passa a hora

Eu só quero a minha indiferença
Quero de volta a minha riqueza
Eu e você nunca tivemos muito a ver
Mas eu me rasgo, eu me supero por você
E nada?!

E juntos, nós íamos tão bem
Eu pretendi, o que é que tem?
Você perdeu tudo para o livre arbítrio
Seria burrice ou seria destino?
Perdido de novo, sem luz nem desgosto
Na direção que vem do seu assopro
Tudo que você sentiu
E o que eu te apresentei
Muito prazer: você não vai mais ver"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 14 de fevereiro de 2011.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PEGADAS




PEGADAS


"Eu vou sobreviver
Não é difícil quanto parece
Já foi pior!
Já foi pior!

Mentiras viram verdades

Eu acordei do lado de fora
Num lugar sem regras
Eu não posso ir mais longe
Quando o sol só queima minhas pegadas
Eu corri contra o diabo
Numa trilha de pedras quentes
Que eu ando descalço
É a cura de outra ferida na minha mente

Veja eu partir...
Eu vou sobreviver
Eu falo porque eu sei
Você me mostrou o que eu não via
Mas não o que era para ver
Verdades também viram mentiras
Não há nada mais para contar
Já foi pior!
Já foi pior!

Eu sinto minha visão fora de foco
Ofusca a linha do horizonte
Que eu percorria
Além do que me ensinava a noite
Tão perto e longe demais
Não estou certo, não estou errado
Eu vou escalar estes muros por você
Não quero quedas de outro atalho

Veja eu partir...

Eu vou sobreviver
Não é difícil quanto parece
Eu te conto uma história
De amor que não presta, que não te serve
Mentiras e verdades não existem
Quando não há motivos pra chorar
Já foi pior!
Já foi pior!

No cair da noite
E dos olhos de ouro
Você se lembrará de mim"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 15 de janeiro de 2011.

PONTA-CABEÇA







PONTA-CABEÇA




"Eu me sinto bem
Bem vulnerável
O colete a prova de balas
Não protege a alma
O sonho é silencioso
Que quase não o escuto mais
Apenas sou carregado
Pelo que os olhos acompanham

Eu não estou acima da lei
Mas eu não peço mais
Toda dor que eu paguei
Não ficou pra trás

O que eu tenho aqui
Não se compra no mercado
Estou tão alto
Que você me vê de cabeça pra baixo
Desejo algo
Que não está escrito nos livros
A trilha terminou
Até onde segui meus instintos

Eu não estou acima da lei
Não, eu não peço mais

Toda dor que eu paguei
Não, não ficou pra trás

Ponta-cabeça
Ponta-cabeça
Ponta-cabeça"

Fúlvio Ferrer



São Paulo, 21/07/2007


domingo, 23 de janeiro de 2011

SETE E CINQUENTA E CINCO


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SETE E CINQUENTA E CINCO


"Veja bem, eu não vim por nada
E você deve achar que é pouco
Terça-feira atravessou a madrugada
A noite nasceu e morreu sobre meus olhos
Girando pelo recinto vazio
O flash de luzes me subestima
Outra força está renascendo
Nas garras que a eternidade ensina

Sete e cinquenta e cinco
Outra qualquer manhã de inverno
O que eu vim fazer aqui, nesse frio?
Segue toda linha de mistério
Quem acendeu todas essas luzes
Que ferem?
Vamos sair por outra noite, sem rumo
Até onde os sonhos permitirem

Erga a cabeça porque a rua é extensa
E não há sombras para se esconder
Quarta-feira já está chegando
Ouça só a voz que vem me escolher
Não se preocupe, eu sei o que faço
A arma que eu carrego não tem munição
Vamos beber e fazer o tempo passar
Que o que vem vindo é a solidão

Sete e cinquenta e cinco
E a voz que amadurece
E não há nada mais a contemplar
Nem o frio que veio e não cede
Quem acendeu todas essas luzes
Que ferem?
Vamos sair por outra noite, sem rumo
Até onde os sonhos permitirem

Veja que estou ficando velho
Veja que a trilha está mais curta
Terça-feira já ficou pra trás
Mesmo que o olhar tenha suas curvas
Bebo um pouco do pesado passado
Cuspo no doce futuro da vida
Foda-se, porque a festa só está começando
E é na incerteza que eu vim
Eu vim"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 22 de junho de 2008.