sábado, 28 de maio de 2011

SEGREDOS





SEGREDOS



"Se eu tenho a mão no seu bolso

Eu roubo o que eu preciso
E quando você se rende à gravidade
Leva contigo o meu equilíbrio

E até que termine o dia
Eu tenho alguns segredos pra contar

Eu tenho as mãos de concreto
E veias de vidro
Eu tenho a pressa impressa
E a calma de um rio

E até que termine o dia
Eu não tenho o que sentir mais

"-Meu bem...você tem que entender
Que eu não tenho nada...
Nada a perder
Meu bem...não pense em voltar.
Nem pense em voltar

-Nem vem...tentando me inverter
Essa é a vida, não há o que escolher
Não pense em voltar
Nem pense em voltar"

(Isso é o que dizem)

Então venha até aqui
E diz pra mim no que você acredita
Cortem o som."
-Calem-se todos!"
Eu quero ouvir o que ela tem a dizer
"No que você acredita?"

Meus olhos doem tanto

Acidentes que o tempo viu
Se você quer que eu fique
Não comece logo do fim

Antes do que quer que fosse
Eu não tenho mais segredos pra contar

Seus ossos estão quebrados

E seu olhar vem vazio
Você tem sua guerra interna
Sem pólvora, nem pavio

E antes que termine a noite

Eu não quero me ferir mais

"-Meu bem...você tem que entender

Eu tenho o sol que não vai te aquecer
Meu bem...não pense em voltar
Nem pense em voltar

-Não sei...o sangue corre por dentro

E ele vem fazendo um estrago tremendo
Não pense em voltar
Nem pense em voltar"

(Isso é o que dizem)

Então venha aqui

E diz pra mim no que você acredita
Cortem o som."-Calem-se todos!"
Eu quero ouvir o que ela tem a dizer
"No que você acredita?"

Você pode dizer

No que você acredita?"


Fúlvio Ferrer


São Paulo, 28 de maio de 2011.

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