domingo, 23 de janeiro de 2011

SETE E CINQUENTA E CINCO


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SETE E CINQUENTA E CINCO


"Veja bem, eu não vim por nada
E você deve achar que é pouco
Terça-feira atravessou a madrugada
A noite nasceu e morreu sobre meus olhos
Girando pelo recinto vazio
O flash de luzes me subestima
Outra força está renascendo
Nas garras que a eternidade ensina

Sete e cinquenta e cinco
Outra qualquer manhã de inverno
O que eu vim fazer aqui, nesse frio?
Segue toda linha de mistério
Quem acendeu todas essas luzes
Que ferem?
Vamos sair por outra noite, sem rumo
Até onde os sonhos permitirem

Erga a cabeça porque a rua é extensa
E não há sombras para se esconder
Quarta-feira já está chegando
Ouça só a voz que vem me escolher
Não se preocupe, eu sei o que faço
A arma que eu carrego não tem munição
Vamos beber e fazer o tempo passar
Que o que vem vindo é a solidão

Sete e cinquenta e cinco
E a voz que amadurece
E não há nada mais a contemplar
Nem o frio que veio e não cede
Quem acendeu todas essas luzes
Que ferem?
Vamos sair por outra noite, sem rumo
Até onde os sonhos permitirem

Veja que estou ficando velho
Veja que a trilha está mais curta
Terça-feira já ficou pra trás
Mesmo que o olhar tenha suas curvas
Bebo um pouco do pesado passado
Cuspo no doce futuro da vida
Foda-se, porque a festa só está começando
E é na incerteza que eu vim
Eu vim"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 22 de junho de 2008.