quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

NO AR RAREFEITO


 


"A cada novo amanhecer
É a vida soltando você
A cada aposta feita, numa mesa
Não há como voltar pra ver
O seu caminho está livre
Pra blefar ou para acreditar
O movimento te define
A cada carta aberta ou fechada

São duas visões
E só você pode olhar
A dor em versões
A que machuca ou a que vem pra modificar
A rua da vida não tem fim
E elas servem pra cobrir a cicatriz
Você pensou que não seria assim?
Deixe estar

Todo viajante sabe que o tempo
É o inimigo andando por perto
Todo dia que termina mais cedo
É a noite num ciclo imperfeito
Sou só uma estranha voz
Que canta enquanto você dorme
Cada estrela cadente
De repente
Pode vir a realizar seu desejo

São duas visões
E só você pode olhar
A dor em versões
A que machuca ou a que vem pra modificar
A rua da vida não tem fim
E elas servem pra cobrir a cicatriz
Você pensou que não seria assim?
Deixe estar

O coração que bate fora do peito
Pulsa como se estivesse dentro
As asas quebradas ao meio
Não te impedem de voar inteiro
Mesmo no ar rarefeito
No ar rarefeito"

São Paulo, 27 de fevereiro de 2025.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

ENTRE DADOS

 




"Eu nunca soube por aí
Nunca disse sem falar
As verdades que contaram
Não chegaram a me enganar
Mas eu tenho outras regras
Nem tentaram me parar
Sou o brilho de outras horas
Que eu não quero mais contar

A vida joga
Entre dados
Voz e letra voltam a se calar
E eu nem cheguei a me enganar

Deixe o uísque
Leve o gelo
Vamos voar por essas horas
O "Rock´N´Roll por minha conta

A vida esfria
Quem tem a resposta?
Eu não tenho nada
Nada mais que as minhas histórias
Um dia você vai ouvir
Agora
Eu me calo nessa ordem
Porque nem posso te contar
Enquanto outros gritam
Enquanto outros gritam

Jogue o jogo
Perca lances
Diga o que mais quero ouvir
Não há mais nada que eu queira ouvir

Nunca pense
Não me pare
Vou percorrer sua pele até o fim
E me perder perto de ti

É um longo caminho até o fim
E nunca estivemos por lá
Eu estou aqui, ainda mais por mim
Não há mais o que contar

A vida inspira
Quem tem a resposta?
Eu não tenho nada
Nada mais que as minhas histórias
Enquanto outros gritam
Eu me parto em desordem
Porque nem posso te contar
Enquanto outros gritam
Enquanto outros gritam"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 7 de março de 2014.