A metade perdida
O brilho no meio do nada
Mantido em vida
Não olho pra baixo na queda
A gravidade se encarrega
A metade que voou
Paleta cheia de cor
Na loucura do som
Num frasco fechado de dor
A noite morre no completo silêncio
E ela revive cedo
Só eu vejo
O tempo na máxima velocidade
Nada me detém esta noite
A vida não é pela metade
E a outra metade começa hoje
Três horas
O sono em conflito
A escuridão em mistérios
Ou somente um abrigo
A prisão que se faz necessária
Que liberta os sonhos na calada
Pegue suas cartas
Esconda os sinais
Frieza no olhar
No seu par de Ás
O jogo é seu do princípio ao fim
Tão perto do fim
Meu 'all in'
O tempo na máxima velocidade
Nada me detém esta noite
A vida não é pela metade
E a outra metade começa hoje
Metade da vida"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 24 de abril de 2024

