"Cai a noite
Morta por dentro
Morta por dentro
Ganhando vida pra me entreter
Eu escrevo
Qualquer outro roteiro
E sei que nada vai me pertencer
Descuido
Em direção ao fundo
Como se nada fosse me acontecer
Vôo alto
E vou aonde eu quero
Não espere que eu venha aqui te dizer
Só que hoje eu estou num lugar desconhecido
Nem posso dizer que segui meu instinto
Tenho um cinza olhar do que está por vir
Eu estou na prisão que me libertou
Esperando o ciclo repetir
Outubro
Quando as árvores se curvam
E são despidas de toda sua beleza
Nada importa
Nessa realidade afora
Onde eu só vejo uma nuvem de poeira
Eu acredito
No tempo que não está escrito
Em cicatrizes que me tornam diferente
Venha perto
Uma miragem no deserto
No calor de um novo dia dormente
Só que hoje eu estou num lugar desconhecido
Nem eu sei onde é esse esconderijo
Tenho um cinza olhar do que está por vir
Eu estou na prisão que me libertou
Esperando o ciclo repetir"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 14 de outubro de 2021.

