"A procura de memórias
Como tranca na gaiola
Um movimento ruim
Sim, eu vejo assim
Na ausência
A procura de alguma certeza
Como a fome e um prato vazio na mesa
No escuro
Eu não sou o único
Enquanto eu procuro a saída
Você muda de assunto
No escuro
Na parte mais gelada do seu mundo
Eu não sinto frio
Nem quando estou sem rumo
E sobre o futuro
Um poema épico ou um rascunho?
Uma música sem letra
É tudo isso que nos resta?
E você diz:
'Eu te amo!'
Você sabe que pra mim é luz no escuro
No escuro
Eu não sou o único
Enquanto você inventa uma saída
Eu me fecho em sinal de luto
No escuro
Na parte mais esquecida do seu mundo
É onde me encontro
Você sabe que eu não sou o único
Eu continuo
Isso é tudo que nos resta?
Um passado sem presente nem futuro
E você diz:
'Eu te amo!'
Você sabe que pra mim é luz no escuro
Na ausência
A procura de alguma certeza
Enquanto eu trago a fome
Você põe um prato vazio sobre a mesa
No escuro
O silêncio de um minuto
Acabou de começar
Você sabe que eu não sou o único"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 17 de maio de 2025

