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"Desligue as luzes do corredor
Antes que o sol ilumine sem sentido
Cinco e dez, mundo indolor
Incerto e esquisito
Você parece descer sem um arranhão
Como se estivesse imune a isso
Sereníssima visão
Resposta carregada no instinto
Eu não acredito mais...
Não venho aqui rasgar desejos
Procurando o que traduz perigo
A porta que só tranca por dentro
Estou preparado pelo que não sinto
Não me pergunte só o que eu tenho
Eu só carrego o meu infinito
Estrelas despencam do céu
Sem qualquer revelação
Certamente elas virão contar
O que simplesmente não tem versão
O tempo que desaparece
O inimigo que fortalece
Algo nos dá esperança
E nós não sabemos o que nos fere
A mente é uma prisão...
O meu coração está vandalizado
E ele cai em perdição
Não venho aqui rasgar desejos
Procurando o que traduz perigo
A porta que só tranca por dentro
Estou preparado pelo que não sinto
Não me pergunte só o que eu tenho
Eu só carrego o meu infinito
A música da cabeça dita o ritmo
Eu tenho sonhos estranhos
Eu eu não quero te contar
São ilusões sem planos
Nem eu sei as respostas
A partir do que eu não explico
Nem que eu queira tentar
Carrego comigo um instinto
A minha versão do infinito
Agora você vai dormir
Tão bela em sua essência
Amanhã eu já não estou aqui
Eu espero que você entenda
Eu apareço no sol da meia noite
No infinito que não está a venda
A verdade não está nos meus olhos
Eu tenho estranhos sonhos"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 31 de março de 2009.


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