"Então já é hora de partir
Com as fuligens que vieram me cobrir
O longo caminho que até aqui percorri
Nem sempre é marcado pela distância
Hoje o tempo acordou faminto
Truques e segredos não irão persuadi-lo
E antes que a cortina se feche
Eu paro no meu sonho de criança
Eu corro na contramão
Olhos na estrada
Ouvidos na canção
E o caminho que ela vai me mostrar
Sem encenação
As luzes da cidade vão se apagando
A poesia se espalhou por todo canto
E as paredes que ficaram de pé
São ilusões de ótica
Eu corro do lado errado da estrada
Minha narrativa é totalmente errada
Os sonhos permanecem acesos
Traindo toda lógica
Eu corro na contramão
Olhos na estrada
Ouvidos na canção
E o caminho que ela vai me mostrar
Sem encenação
Hoje eu vou construir uma ponte
Entre estradas, paredes e segredos
Hoje eu vou acelerar
Mais rápido que o tempo
E logo após...
Meu coração vai desacelerar
Apreciar a noite que nunca vai terminar
Nos caminhos mais sinuosos
A vida encontra a paz
Não olhe pra trás
Não queira me atrasar
Porque nesta noite, pelo menos
Eu vou voltar sozinho pra casa"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 15 de setembro de 2024
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