CORRENTEZA
"Ninguém virá aqui roubar meus segredos
Não importa a tortura que eu venha sofrer
Ninguém virá aqui impor seus pecados
Não importa o quanto isso possa me satisfazer
Eu tenho o controle do que me descontrola
Eu tenho uma voz que sempre vou desobedecer
Eu tenho um coração pulsando agora
E não lembro a última vez que isso foi acontecer
Então
Por que você perde seu tempo?
Em perguntas que acabaram de ser inventadas
A correnteza que te leva
Em respostas racionalmente ensaiadas
A sua água profunda
Quando volta para cama
Noite e dia
Noite e dia
Você já parou pra respirar?
Já parou pra respirar?
Eu já bebi uma dose após a outra
Uma borracha gasta rasurando o papel
Eu danço entre dinamites espalhadas e à solta
Não me importa se é o inferno ou o céu
Não há o que esperar do próximo dia
Se a noite nunca vai acabar
Eu pauso o tempo num estalar de dedos
E sei que nada disso vai me ajudar
Então
Por que você perde seu tempo?
Em perguntas que acabaram de ser inventadas
A correnteza que te leva
Em respostas racionalmente ensaiadas
A sua própria história escrita
Em frases repetidas
Noite e dia
Noite e dia
Você já parou para pensar?
Já parou para pensar?
Eu vejo a lua
Na direção da correnteza
O silêncio que já revela
A paisagem da tristeza
Eu vejo o que você vê
Sobre os seus ombros
E o que você não vê
Eu não mais escondo"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 10 de dezembro de 2023


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