"A alegria virou mistério
Todo resto, todos quietos
A beleza, esquecida
Onde encontro a fonte da vida?
O que eu posso fazer?
Se eu tenho o dom
Mas não tenho um porquê
Apagando a memória
Se hoje eu quero cair de cara
Um degrau acima da minha raiva
Tão alto quanto meus novos sonhos
Tão íntimo quanto meu velho silêncio
Afinal, o que eu tenho a perder?
Só o equilíbrio...
E eu nem sei do que
Apagando a memória
Eu perdi o convite de entrada
Nos bolsos, nada além do vazio
Eu perdi o controle na estrada
Bloqueio da mente virou meu abrigo
Amor, vamos lá!!
Entrar na noite e apagar
Do que sobrou da memória
Esqueci minha religião
De tão feroz que ela foi
É um filme com muita ação
É um alívio da minha dor
Amor, vamos lá!!
Despir a noite e mergulhar
Numa nova história
Não sei mais no que agarrar
Não sei como vou acordar
Não sem mais escrever sem cantar
O futuro vem em flashes...
E eu não quero olhar
Haverá espaço pra esperança?
Ou todo espaço será nossa vergonha?
Eu não consigo dizer porque
Mas eu consigo acreditar
No branco que me conduz
Sem memória ou sem luz
Eu consigo acreditar"
Fúlvio Ferrer
São Paulo, 15 de janeiro de 2022

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