quarta-feira, 27 de maio de 2026

QUEBRA CABEÇA






"Continue perfilando segredos
Até onde não consiga mais sabê-los
Um mergulho chamado desejo
A adrenalina que camufla o medo

O tempo não estará aí pra curar
Ele vem duelar com a sua coragem
Um desafio que não dá pra evitar
Um sonho que virou realidade?

A queda impiedosa
De uma altura estrondosa
Segure-se no que for capaz...

Não prenda a respiração
Deixe o vento te lamber no ar
Aprecie sem moderação
Enquanto a gravidade não vir te cobrar

Sem contar a porra da solidão
Essa vem quando puder coroar
O sangue seco em ebulição
Nesse voo sem nenhuma volta

Nem tente acelerar a queda
Enquanto fica mais longe do próprio lar
Nem tente acelerar a queda
O tempo não dá pra manipular...

Quando estiver em pedaços no chão
Lembre-se do que você foi descartar
O quebra cabeça que você inventou
Uma imagem que não precisa de palavras"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 20 de abril de 2026.


domingo, 26 de abril de 2026

AO SEU DISPOR



"Eu sinto o sol batendo na minha cara
A porta de saída virou a porta de entrada
O suor escorrendo no meu rosto
Um prêmio pela dedicação e esforço
Estou aguardando a minha vez
Não sou só feito de carne e osso

Eu vi que a noite batendo na sua cara
Achando que o castelo real nunca desaba
Eu sei que você não esqueceu meu nome
Uma certeza que nunca morre
Eu me acostumei com a verdade
E isso nunca foi seu forte

Ao seu dispor
Ao seu dispor
Estou ao seu dispor

Eu sinto o coração um pouco mais acelerado
Eu sempre estive preparado pro impacto
O sangue que caiu pela minha face
Serviu pra lavar seu pequeno chão
Uma nova dor da pior espécie
Um erro sem nenhuma explicação

Ao seu dispor
Ao seu dispor
Estou ao seu dispor

Limpe toda sua sujeira
Na primeira hora da manhã
Não passe a vida inteira
Esperando o amanhã
Quando contar até três
Lembre-se do que virá depois
Quando não for mais a sua vez
Não esqueça como tudo foi

Eu já joguei com isso antes
Sem querer vencer
Eu já joguei com isso antes
Pra nunca mais perder
\Eu já joguei com isso antes
Como você vai querer?

Ao seu dispor
Ao seu dispor
Estou ao seu dispor"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 26 de abril de 2026.




domingo, 1 de março de 2026

DE VOLTA AO PONTO DE PARTIDA

 





"Navios se deslocam no oceano
Em busca de guerra
A terra está se movimentando
Soldados em queda

O que fizemos pra chegar até aqui?
Como paramos nesta merda?
De volta ao ponto de partida
Sozinho...
Como uma flor numa pedra

Abaixe suas armas
Queime o seu disfarce
Entre balas e falsas palavras
Vem a nossa realidade
Por que não chorar?
Por que não chorar?

O amor não aceita dividir
Nem por ele, etnia ou cor
O ódio disfarçado por aí
Depravada onda de dor
Por que você não me aceita aqui?
Qual crime você me sentenciou?
O coração é o mesmo pra mim
O seu reino ideal que me isolou

A saída pela esquerda
Todos sentados à mesa
E na outra ponta extrema
Poder, força e violência
Onde você quer estar?
Onde você quer estar?

Você aceita repartir
Ou quer só a sua parte?
Temos uma missão a cumprir
O significado da verdade
Por que não sonhar?
Por que não sonhar?

O que fizemos pra chegar até aqui?
Como paramos nesta merda
De volta ao ponto de partida
Sozinho....
Como uma flor numa pedra"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 25 de fevereiro de 2026.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

GANGORRA

 





"Não se entregue
Você bem sabe
O que não te serve, descarte

Não se entregue
Gastando o resto da vida
Enterrando a própria estima

Nada te interfere

A escolha é só sua
A escolha é só sua
A escolha é só sua
Contando o resto dos dias
Debaixo de justificativas
Seus medos
Percorrendo pelos dedos
Um duelo certo e cedo

É só sua escolha
Seu peso na gangorra
Não se entregue
Nada te interfere
Nem trevas e luzes
O último duelo contra as nuvens

Qual sua escolha?

Não se entregue
Calculando o resto dos dias
Perdendo todo o resto das noites
Roubando qualquer intenção
A emoção sem direção

A escolha é só sua
A escolha é só sua
A escolha é só sua
Rejeitando a verdade dita
Tanto quanto as escondidas
Suas lágrimas
Escorrendo pela cara
A partida sem palavras

Não há nada a temer
Nada a temer 
Do outro lado da gangorra
São trevas e luzes
O último duelo contra as nuvens"

São Paulo, 8 de dezembro de 2025.


Para minha irmã Luana.
Nascida em 18/03.1986
Falecida em 15/01;2026

Que seu espírito encontre paz e amor



terça-feira, 4 de novembro de 2025

FÉ NO SOM DO AMOR

 






"Ela chora todo domingo à noite
Quando seus sonhos caem em terra firme
Cada lágrima é uma difícil partida
De dentro da sua fortaleza

Hoje ela mal sabe o próprio nome
O navio partiu enquanto ela somente sofre
O tempo de quase toda uma vida
Mergulhado na profunda tristeza

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Ela vai conforme a correnteza
Navegando no seu mar de riquezas
Boiando, conforme ela mesma
Pra longe de qualquer certeza

"Me salve!"
"Me salve!"
Essas são as suas palavras
Presas na própria inconsciência

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Sangue frio por dentro das veias
Espalhado sobre a mesa
O silêncio é a única certeza
De que ela vai cuidar

O céu limpo após a tempestade
A cura em forma de verdade
O grito vindo da vontade
O amor no seu melhor lugar

E inunda todo o seu mundo
Inunda todo seu pequeno absurdo
De fé no som do amor

Fúlvio Ferrer

Mairinque, 18 de outubro de 2025.

sábado, 20 de setembro de 2025

REFÉM

 

"Ela tem a vez
Em derrubar minha construção
Tão logo ela se refez
Eu ainda não levantei do chão
Com quem eu falo agora?
Apresente-se pra plateia

Eu já sou refém
Sua recompensa favorita
Ela, eu nem sei
Ela é tudo, menos vítima
Com quem eu falo agora?
A heroína ou a criminosa?

Ela é a única no meu corpo
Que transfere eletricidade
Ela chega com o roteiro pronto
Onde eu mal sei a metade
Talvez eu não saiba
Talvez eu não fale

Minhas mãos percorrem sua pele
Nas curvas de baixa velocidade
Ela é a única que me prende
Pra gozar da própria vontade
Talvez eu não saia
Talvez eu não volte
Pra você

No lado de fora
Alguém me chama em larga escala
Uma voz que é tão sonora
Na nota certa ou na errada

Ouça com atenção
A melodia proibida
Cantada numa nova versão
Na noite que antecede meu dia
Com quem vou falar amanhã?
A mocinha ou a vilã?

Ela é a única no meu corpo
Que espalha o fogo na combustão
Tudo cai num simples sopro
Meu objeto de destruição
Talvez eu me queime
Talvez eu levante

Ela é a única sem queimaduras
Imune e sem qualquer arranhão
Eu já deixei minha armadura
O começo da minha ilusão
Talvez eu me cure
Talvez eu escape
De você"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 2 de outubro de 2025















quarta-feira, 27 de agosto de 2025

VOO SOLO



"Vejo no espelho
Os traços que não estavam lá
Eu posso contá-los
Se você não se importar

Eu estou sem nada
A espaçonave parte em momentos
Eu não tenho o mapa
Tampouco eu tenho mais tempo

Desculpe o silêncio
Nem tudo dá pra entender
Eu não tenho medo
Você também não deveria ter

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

Eu já vi de tudo
Além do que o espelho mostra
O pior e o absurdo
O diabo surgindo em diversas formas

Meu coração acelerado
No ritmo que não dá pra controlar
Sou o seu imaginário
Eu sou a lembrança pra você guardar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos

No ar que respira
No vento que faz seu cabelo voar
Nas poesias sem rimas
É lá que eu vou estar

Minha carona já vai vazar
Agora só depende de mim
Voar pelos sonhos
Um voo solo
Viver de novo
Distante dos teus olhos"

Fúlvio Ferrer

São Paulo, 27 de agosto de 2025.